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28 de dez. de 2016
5 de mar. de 2016
O que está por trás das crises do Brasil?
Há uma crise econômica e uma crise política/ética em nosso país.
Mas quais as oportunidades que estas crises trazem? Numa leitura mais profunda, por que estas crises estão surgindo?
O que precisamos mudar em nós como indivíduo e como sociedade?
Mas quais as oportunidades que estas crises trazem? Numa leitura mais profunda, por que estas crises estão surgindo?
O que precisamos mudar em nós como indivíduo e como sociedade?
28 de nov. de 2015
Por que o Brasil de hoje lembra a Inglaterra dos anos 60
Gosto muito de textos provocadores. Neste caso confesso que num primeiro olhar mais discordei do que concordei...Mas depois fui digerindo o conteúdo e tendo novos insights...
Acho que este é o ganho de uma boa provocação: nos tirar da zona de conforto. E isso é incrível para ampliar nossa visão, trazer novas perspectivas.
Quem não provoca e não se deixa provocar acaba se acomodando. E comodismo é um perigo tanto em termos profissionais quanto pessoais...
Quais os melhores textos, filmes, livros, frases provocadoras que você ouviu recentemente?
Minha primeira geladeira e por que o Brasil de hoje lembra a Inglaterra dos anos 60
Acho que este é o ganho de uma boa provocação: nos tirar da zona de conforto. E isso é incrível para ampliar nossa visão, trazer novas perspectivas.
Quem não provoca e não se deixa provocar acaba se acomodando. E comodismo é um perigo tanto em termos profissionais quanto pessoais...
Quais os melhores textos, filmes, livros, frases provocadoras que você ouviu recentemente?
Minha primeira geladeira e por que o Brasil de hoje lembra a Inglaterra dos anos 60
Tim Vickery*Colunista da BBC Brasil13 de Novembro de 2015
Acho que nasci com alguma parte virada para a lua. Chegar ao mundo na Inglaterra em 1965 foi um golpe e tanto de sorte. Que momento! The Rolling Stones cantavam I Can’t Get no Satisfaction, mas a minha trilha sonora estava mais para uma música do The Who, Anyway, Anyhow, Anywhere.
Na minha infância, nossa família nunca teve carro ou telefone, e lembro a vida sem geladeira, televisão ou máquina de lavar. Mas eram apenas limitações, e não o medo e a pobreza que marcaram o início da vida dos meus pais.
Tive saúde e escolas dignas e de graça, um bairro novo e verde nos arredores de Londres, um apartamento com aluguel a preço popular – tudo fornecido pelo Estado. E tive oportunidades inéditas. Fui o primeiro da minha família a fazer faculdade, uma possibilidade além dos horizontes de gerações anteriores. E não era de graça. Melhor ainda, o Estado me bancava.
Olhando para trás, fica fácil identificar esse período como uma época de ouro. O curioso é que, quando lemos os jornais dessa época, a impressão é outra. Crise aqui, crise lá, turbulência econômica, política e de relações exteriores. Talvez isso revele um pouco a natureza do jornalismo, sempre procurando mazelas. É preciso dar um passo para trás das manchetes para ganhar perspectiva.
Será que, em parte, isso também se aplica ao Brasil de 2015?
Não tenho dúvidas de que o país é hoje melhor do que quando cheguei aqui, 21 anos atrás. A estabilidade relativa da moeda, o acesso ao crédito, a ampliação das oportunidades e as manchetes de crise – tudo me faz lembrar um pouco da Inglaterra da minha infância.
Por lá, a arquitetura das novas oportunidades foi construída pelo governo do Partido Trabalhista nos anos depois da Segunda Guerra (1945-55). E o Partido Conservador governou nos primeiros anos da expansão do consumo popular (1955-64). Eles contavam com um primeiro-ministro hábil e carismático, Harold Macmillan, que, em 1957, inventou a frase emblemática da época: "nunca foi tão bom para você" ("you’ve never had it so good", em inglês).
É a versão britânica do "nunca antes na história desse país". Impressionante, por sinal, como o discurso de Macmillan trazia quase as mesmas palavras, comemorando um "estado de prosperidade como nunca tivemos na história deste país" ("a state of prosperity such as we have never had in the history of this country", em inglês).
Macmillan, "Supermac" na mídia, era inteligente o suficiente para saber que uma ação gera uma reação. Sentia na pele que setores da classe média, base de apoio principal de seu partido, ficaram incomodados com a ascensão popular.
Em 1958, em meio a greves e negociações com os sindicatos, notou "a raiva da classe média" e temeu uma "luta de classes". Quatro anos mais tarde, com o seu partido indo mal nas pesquisas, ele interpretou o desempenho como resultado da "revolta da classe média e da classe média baixa", que se ressentiam da intensa melhora das condições de vida dos mais pobres ou da chamada "classe trabalhadora" ("working class", em inglês) na Inglaterra.
Em outras palavras, parte da crise política que ele enfrentava foi vista como um protesto contra o próprio progresso que o país tinha alcançado entre os mais pobres.
Mais uma vez, eu faço a pergunta – será que isso também se aplica ao Brasil de 2015?
Alguns anos atrás, encontrei um conterrâneo em uma pousada no litoral carioca. Ele, já senhor de idade, trabalhava como corretor da bolsa de valores. Me contou que saiu da Inglaterra no início da década de 70, revoltado porque a classe operária estava ganhando demais.
No Brasil semifeudal, achou o seu paraíso. Cortei a conversa, com vontade de vomitar. Como ele podia achar que suas atividades valessem mais do que as de trabalhadores em setores menos "nobres"? Me despedi do elemento com a mesquinha esperança de que um assalto pudesse mudar sua maneira de pensar a distribuição de renda.
Mais tarde, de cabeça fria, tentei entender. Ele crescera em uma ordem social que estava sendo ameaçada, e fugiu para um lugar onde as suas ultrapassadas certezas continuavam intactas.
Agora, não preciso nem fazer a pergunta. Posso fazer uma afirmação. Essa história se aplica perfeitamente ao Brasil de 2015. Tem muita gente por aqui com sentimentos parecidos. No fim das contas, estamos falando de uma sociedade com uma noção muito enraizada de hierarquia, onde, de uma maneira ainda leve e superficial, a ordem social está passando por transformações. Óbvio que isso vai gerar uma reação.
No cenário atual, sobram motivos para protestar. Um Estado ineficiente, um modelo econômico míope sofrendo desgaste, burocracia insana, corrupção generalizada, incentivada por um sistema político onde governabilidade se negocia.
A revolta contra tudo isso se sente na onda de protestos. Mas tem um outro fator muito mais nocivo que inegavelmente também faz parte dos protestos: uma reação contra o progresso popular. Há vozes estridentes incomodadas com o fato de que, agora, tem que dividir certos espaços (aeroportos, faculdades) com pessoas de origem mais humilde. Firme e forte é a mentalidade do: "de que adianta ir a Paris para cruzar com o meu porteiro?".
Harold Macmillan, décadas atrás, teve que administrar o mesmo sentimento elitista de seus seguidores. Mas, apesar das manchetes alarmistas da época, foi mais fácil para ele. Há mais riscos e volatilidade neste lado do Atlântico. Uma crise prolongada ameaça, inclusive, anular algumas das conquistas dos últimos anos. Consumo não é tudo, mas tem seu valor. Sei por experiência própria que a primeira geladeira a gente nunca esquece.
* Tim Vickery é colunista da BBC Brasil e formado em História e Política pela Universidade de Warwick
Na minha infância, nossa família nunca teve carro ou telefone, e lembro a vida sem geladeira, televisão ou máquina de lavar. Mas eram apenas limitações, e não o medo e a pobreza que marcaram o início da vida dos meus pais.
Tive saúde e escolas dignas e de graça, um bairro novo e verde nos arredores de Londres, um apartamento com aluguel a preço popular – tudo fornecido pelo Estado. E tive oportunidades inéditas. Fui o primeiro da minha família a fazer faculdade, uma possibilidade além dos horizontes de gerações anteriores. E não era de graça. Melhor ainda, o Estado me bancava.
Olhando para trás, fica fácil identificar esse período como uma época de ouro. O curioso é que, quando lemos os jornais dessa época, a impressão é outra. Crise aqui, crise lá, turbulência econômica, política e de relações exteriores. Talvez isso revele um pouco a natureza do jornalismo, sempre procurando mazelas. É preciso dar um passo para trás das manchetes para ganhar perspectiva.
Será que, em parte, isso também se aplica ao Brasil de 2015?
Não tenho dúvidas de que o país é hoje melhor do que quando cheguei aqui, 21 anos atrás. A estabilidade relativa da moeda, o acesso ao crédito, a ampliação das oportunidades e as manchetes de crise – tudo me faz lembrar um pouco da Inglaterra da minha infância.
Por lá, a arquitetura das novas oportunidades foi construída pelo governo do Partido Trabalhista nos anos depois da Segunda Guerra (1945-55). E o Partido Conservador governou nos primeiros anos da expansão do consumo popular (1955-64). Eles contavam com um primeiro-ministro hábil e carismático, Harold Macmillan, que, em 1957, inventou a frase emblemática da época: "nunca foi tão bom para você" ("you’ve never had it so good", em inglês).
É a versão britânica do "nunca antes na história desse país". Impressionante, por sinal, como o discurso de Macmillan trazia quase as mesmas palavras, comemorando um "estado de prosperidade como nunca tivemos na história deste país" ("a state of prosperity such as we have never had in the history of this country", em inglês).
Macmillan, "Supermac" na mídia, era inteligente o suficiente para saber que uma ação gera uma reação. Sentia na pele que setores da classe média, base de apoio principal de seu partido, ficaram incomodados com a ascensão popular.
Em 1958, em meio a greves e negociações com os sindicatos, notou "a raiva da classe média" e temeu uma "luta de classes". Quatro anos mais tarde, com o seu partido indo mal nas pesquisas, ele interpretou o desempenho como resultado da "revolta da classe média e da classe média baixa", que se ressentiam da intensa melhora das condições de vida dos mais pobres ou da chamada "classe trabalhadora" ("working class", em inglês) na Inglaterra.
Em outras palavras, parte da crise política que ele enfrentava foi vista como um protesto contra o próprio progresso que o país tinha alcançado entre os mais pobres.
Mais uma vez, eu faço a pergunta – será que isso também se aplica ao Brasil de 2015?
Alguns anos atrás, encontrei um conterrâneo em uma pousada no litoral carioca. Ele, já senhor de idade, trabalhava como corretor da bolsa de valores. Me contou que saiu da Inglaterra no início da década de 70, revoltado porque a classe operária estava ganhando demais.
No Brasil semifeudal, achou o seu paraíso. Cortei a conversa, com vontade de vomitar. Como ele podia achar que suas atividades valessem mais do que as de trabalhadores em setores menos "nobres"? Me despedi do elemento com a mesquinha esperança de que um assalto pudesse mudar sua maneira de pensar a distribuição de renda.
Mais tarde, de cabeça fria, tentei entender. Ele crescera em uma ordem social que estava sendo ameaçada, e fugiu para um lugar onde as suas ultrapassadas certezas continuavam intactas.
Agora, não preciso nem fazer a pergunta. Posso fazer uma afirmação. Essa história se aplica perfeitamente ao Brasil de 2015. Tem muita gente por aqui com sentimentos parecidos. No fim das contas, estamos falando de uma sociedade com uma noção muito enraizada de hierarquia, onde, de uma maneira ainda leve e superficial, a ordem social está passando por transformações. Óbvio que isso vai gerar uma reação.
No cenário atual, sobram motivos para protestar. Um Estado ineficiente, um modelo econômico míope sofrendo desgaste, burocracia insana, corrupção generalizada, incentivada por um sistema político onde governabilidade se negocia.
A revolta contra tudo isso se sente na onda de protestos. Mas tem um outro fator muito mais nocivo que inegavelmente também faz parte dos protestos: uma reação contra o progresso popular. Há vozes estridentes incomodadas com o fato de que, agora, tem que dividir certos espaços (aeroportos, faculdades) com pessoas de origem mais humilde. Firme e forte é a mentalidade do: "de que adianta ir a Paris para cruzar com o meu porteiro?".
Harold Macmillan, décadas atrás, teve que administrar o mesmo sentimento elitista de seus seguidores. Mas, apesar das manchetes alarmistas da época, foi mais fácil para ele. Há mais riscos e volatilidade neste lado do Atlântico. Uma crise prolongada ameaça, inclusive, anular algumas das conquistas dos últimos anos. Consumo não é tudo, mas tem seu valor. Sei por experiência própria que a primeira geladeira a gente nunca esquece.
* Tim Vickery é colunista da BBC Brasil e formado em História e Política pela Universidade de Warwick
7 de abr. de 2015
Um artista político
Ai Weiwei é um dos artistas mais em evidência na atualidade. Ele próprio se define como um designer, embora seja mais lembrado recentemente como um opositor ao regime ditatorial chinês.
O documentário Ai Weiwei: The Fake Case (o caso de ai weiwei disponível no excelente canal Arte 1), mostra seu sofrimento: acusado de sonegação de impostos (uma farsa criada pelo governo), vivendo em prisão domicilar, constantemente vigiado, sufocado, traumatizado...
Weiwei passou 3 meses preso e ao sair decidiu criar uma exposição para retratar seu dia a dia na prisão. Imagens que traduzem a crueldade de uma ditadura valorizada por seu crescimento econômico. Como se uma grande economia fosse capaz de apagar as injustiças criadas por um sistema político atrasado e desumano.
O mundo precisa de mais gente como Ai Weiwei. Um guerreiro que não desiste da luta por uma China democrática!
8 de fev. de 2015
É possível que já estejamos em plena revolução
Gosto muito do Zygmunt Bauman, um dos principais pensadores do mundo atual. Este polonês de 89 anos ainda se mantém muito ativo e suas publicações geralmente tem espaço reservado nas melhores livrarias. Dos que li, destaco Modernidade Líquida e Vidas Desperdiçadas.
Nesta entrevista Bauman reflete sobre sua jornada de vida e os desafios do mundo atual.
O sociólogo polônes Zygmunt Bauman, em entrevista à MGMagazine traduzida para o português e publicada pelo site Fronteiras do Pensamento, fala, aos 89 anos, sobre o mundo atual e como entende os efeitos da modernidade sobre as pessoas. “As consequências são a austeridade, o aumento do desemprego e, sobretudo, a devastação emocional e mental de muitos jovens que entram agora no mercado de trabalho e sentem que não são bem-vindos, que não podem adicionar nada ao bem-estar da sociedade, porque são uma carga”, diz.
MGMagazine: O senhor imaginou que poderia se tornar uma estrela midiática em nível global?
Zygmunt Bauman: Certamente não. Mas não sou uma estrela. Quando eu morrer, o que provavelmente acontecerá logo, com certeza morrerei como uma pessoa insatisfeita, que não alcançou seu objetivo.
MGMagazine: Por quê?
Zygmunt Bauman: Porque tratei de transmitir certas ideias durante toda a minha vida, que tem sido muito longa. E quando olho pra trás, existe toda uma montanha cinza de esperanças e expectativas que morreram ao nascer ou faleceram muito jovens. Não tenho nada para me gabar. Tento juntar palavras para dizer às pessoas quais são os problemas, de onde eles vêm, onde se escondem, como encontrar ajuda para resolvê-los se for possível. Mas são palavras. E não nego que são poderosas, porque a nossa realidade, o que nós pensamos que é o mundo, esta sala, nossa vida, nossas lembranças, são palavras. Mas, apesar de ter vivido tantos anos, não consegui resolver o problema de transformar as palavras em carne. Hoje, existe uma enorme quantidade de pessoas que querem a transformação, que têm ideias de como tornar o mundo melhor não somente para eles, mas também para os outros, mais hospitaleiro. Mas na sociedade contemporânea, na qual somos mais livres do que nunca, ao mesmo tempo somos também mais impotentes do que em qualquer outro momento da história. Todos sentimos a desagradável experiência de ser incapazes de mudar qualquer coisa. Somos um conjunto de indivíduos com boas intenções, mas entre as intenções e os projetos e a realidade tem muita distância. Todos sofremos agora mais do que em qualquer outro momento pela falta total de agentes, de instituições coletivas capazes de atuar efetivamente.
MGMagazine: O que mudou?
Zygmunt Bauman: Quando eu era jovem, todos os meus contemporâneos, de esquerda, direita ou centro, coincidiam em um ponto: se chegamos ao governo ou fazemos uma revolução, sabemos o que fazer e como fazer através do poder do Estado. Agora, ninguém acredita que o governo pode fazer algo. Os governos são vistos como instituições que nunca cumprem suas promessas. É um grave problema. Porque significa que, embora saibamos como criar uma sociedade mais humana – e no momento abandonamos a esperança de poder projetá-la–, a grande pergunta, para a qual não tenho resposta, é quem vai transformá-la em realidade.
MGMagazine: Viver em um mundo líquido, o que isso significa exatamente?
Zygmunt Bauman: Modernidade significa modernização obsessiva, viciante, compulsiva. Modernização significa não aceitar as coisas como elas são, e sim transformá-las em algo que consideramos que é melhor. Modernizamos tudo. Você pega as suas regulações, seus objetos, e trata de modernizá-los. Não duram muito tempo. Isso é o mundo líquido. Nada tem uma forma definida que dure muito tempo. Deve-se dizer que fundir o que é sólido, transformá-lo em líquido e moldá-lo de novo era uma preocupação da modernidade desde o princípio, mas o objetivo era outro. Arbitrariamente, mas acredito que de forma útil, situo o início da modernidade no ano de 1.775 no terremoto de Lisboa, seguido de um incêndio que destruiu o que restava e em seguida um tsunami que levou consigo tudo para o mar.
MGMagazine: Por que nesse terremoto?
Zygmunt Bauman: Foi uma catástrofe, não só material, mas também intelectual. As pessoas pensavam, até então, que Deus tinha criado tudo, que tinha criado a natureza e disposto leis. Mas, de repente, veem que a natureza é cega, indiferente, hostil com os humanos. Não se pode confiar nela. O mundo tem que estar sob direção humana. Substituir o que existe pelo que se pode projetar. Assim, Rousseau, Voltaire ou Holbach viram que o antigo regime não funcionava e decidiram que tinham de fundi-lo e refazê-lo de novo no molde da racionalidade. A diferença em relação ao mundo de hoje é que não o faziam porque não gostavam do que era sólido, e sim, pelo contrário, porque acreditavam que o regime que existia não era suficientemente sólido. Queriam construir algo resistente para sempre que substituísse o oxidado. Era a época da modernidade sólida. A época das grandes fábricas empregando milhares de trabalhadores em enormes edifícios de tijolos, fortalezas que iam durar tanto quanto as catedrais góticas. No entanto, a história decidiu um caminho muito diferente.
MGMagazine: Tornou-se líquida?
Zygmunt Bauman: Sim. Hoje a maior preocupação da nossa vida social e individual é como prevenir que as coisas sejam fixas, que sejam tão sólidas que não possam mudar o futuro. Não acreditamos que existam soluções definitivas, e não é só isso: não gostamos delas. Por exemplo: a crise que muitos homens têm ao fazer 40 anos. Ficam paralisados pelo medo de que as coisas já não sejam como antes. E o que mais lhes dá medo é ter uma identidade aferrada a eles. Uma imagem que não se pode tirar. Estamos acostumados com um tempo veloz, certos de que as coisas não vão durar muito, de que vão aparecer novas oportunidades que vão desvalorizar as existentes. E isso acontece em todos os aspectos da vida. Há duas semanas, as pessoas faziam filas durante a noite pelo iPhone 5 e agora mesmo estão fazendo pelo 6. Posso garantir que em dois anos aparecerá o 7 e milhões de iPhones 6 serão jogados no lixo. E isso dos objetos materiais funciona da mesma forma com as relações pessoais e com a própria relação que temos conosco mesmos, como nos avaliamos, que imagem temos de nossa pessoa, que ambição permitimos que nos guie. Tudo muda de um momento a outro, somos conscientes de que somos transformáveis e, portanto, temos medo de fixar qualquer coisa para sempre. Provavelmente, seu governo, como o do Reino Unido, convoca seus cidadãos a serem flexíveis.
MGMagazine: Sim, convoca.
Zygmunt Bauman: O que significa ser flexível? Significa que você não está comprometido com nada para sempre, mas sim pronto para mudar a sintonia, a mente, em qualquer momento no qual seja requisitado. Isso cria uma situação líquida. Como um líquido em um copo, no qual o mais leve empurrão muda a forma da água. E isso está em todos os lugares.
MGMagazine: Quais o senhor acredita que são os efeitos desta nova situação nas pessoas?
Zygmunt Bauman: Há alguns anos, os jovens iam trabalhar para a Ford ou a Fiat como aprendizes e podiam acabar ficando ali pelos próximos 40 anos se não se embebedavam ou morriam antes. Hoje, os jovens que não perderam a ambição depois de ter amargas experiências de trabalho sonham em ir ao Vale do Silício. É a meca das ambições de todo homem jovem, a ponta da lança da inovação, do progresso. Você sabe qual é a média de um trabalhador de uma empresa do Vale do Silício? Oito meses. O sociólogo Richard Sennet calculou, há uns anos, que o trabalhador médio mudaria de empresa onze vezes durante a sua vida. Hoje, essa quantidade é inclusive maior. As gerações que emergem das universidades em grandes quantidades estão ainda buscando emprego. E se encontram, não tem nada a ver com suas habilidades e expectativas. Estão empregados em trabalhos precários, temporários, sem segurança, sem carreira. Então, a principal maneira pela qual nos conectamos com o mundo, que é a nossa profissão, nosso trabalho, é fluida, líquida. Estamos conectados apenas pela água. E não se pode estar conectado por isso, ocorrem inundações, fugas…
MGMagazine: Por isso você diz que passamos do proletariado ao precariado?
Zygmunt Bauman: Há não muito tempo o precariado era a condição de vagabundos, sem-teto, mendigos. Agora, marca a natureza da vida de pessoas que há 50 anos estavam bem instaladas. Pessoas de classe média. Com exceção do 1% que está acima de tudo, ninguém pode se sentir seguro hoje. Todos podem perder as conquistas alcançadas durante sua vida sem aviso prévio. Não faz tantos anos, seis, o crédito e os bancos entraram em colapso e as pessoas começaram a ser despejadas de suas casas e seus trabalhos. Antes disso, os otimistas falavam de orgia de consumo, as pessoas pensavam que podiam gastar dinheiro que não tinham porque as coisas seriam cada vez melhores, assim como seus rendimentos, mas tudo isso desabou. As consequências são hoje os cortes, a austeridade, o alto nível de desemprego e, sobretudo, a devastação emocional e mental de muitos jovens que entram agora no mercado de trabalho e sentem que não são bem-vindos, que não podem acrescentar nada ao bem-estar da sociedade, que são um peso.
MGMagazine: Aumenta o que o senhor chama de vidas desperdiçadas.
Zygmunt Bauman: Cada vez há mais. Mas é que, além disso, as pessoas que têm emprego experimentam a forte sensação de que existem altas possibilidades de que também virem resíduos. E, mesmo conhecendo a ameaça, são incapazes de preveni-la. É uma combinação de ignorância e impotência. Não sabem o que vai acontecer, mas nem mesmo sabendo seriam capazes de preveni-lo. Ser o resto, um resíduo, é uma condição ainda de uma minoria. No entanto, impacta não somente os empobrecidos, mas também setores cada vez maiores das classes médias, que são a base de nossas sociedades democráticas modernas. Estão atribuladas.
Zygmunt Bauman fotografado por Carlos González Armesto
MGMagazine: As classes médias vão desaparecer?
Zygmunt Bauman: Estamos em um interregno. A palavra foi usada pela primeira vez na história da Roma Antiga. O primeiro rei lendário foi Rômulo, que reinou por 38 anos. Essa era a expectativa de vida das pessoas, então, quando ele morreu, pouca gente lembrava do mundo sem ele. As pessoas estavam confusas. O que fazer? Rômulo lhes dizia o que fazer. E se houvesse outro, ninguém sabia o que ele lhes pediria. Gramsci atualizou a ideia de interregno para definir uma situação na qual as antigas formas de fazer as coisas já não funcionam, mas as formas de resolver os problemas de uma nova maneira efetiva ainda não existem ou não as conhecemos. E nós estamos assim. Os governos vivem presos entre duas pressões impossíveis de reconciliar: a do eleitorado e a dos mercados. Eles têm medo de que, se não agem como as bolsas e o capital móvel querem, as bolsas quebrarão e o dinheiro irá a outro país. Não se trata apenas de que possa haver corrupção e estupidez entre os nossos políticos, mas sim que essas situações os deixam impotentes. E, por isso, as pessoas buscam desesperadamente novas formas de fazer política.
MGMagazine: Como os indignados?
Zygmunt Bauman: É um bom exemplo. Se o governo não cumpre, vamos à praça pública. Mas é uma boa tentativa que não traz muito resultado. Estamos tentando. Tentando criar alternativas praticáveis para atender às necessidades coletivas. O interregno por definição é transitório. Eu acredito que não viverei para ver o novo arranjo, mas sua vida estará repleta de buscas por essas alternativas. Porque este período de suspensão, no qual muitas coisas vão mal e temos poucas ideias para resolvê-las, não é eternamente concebível.
MGMagazine: Será que já não estamos líquidos demais?
Zygmunt Bauman: As mudanças vêm e vão. Muita gente está hoje convencida de que já existem alternativas, mas que são invisíveis porque ainda estão muito dispersas. Jeremy Rifkin fala da utilidade pública colaborativa. Benjamin Barber publicou o livro Se os prefeitos governassem o mundo, no qual diz que os estados estão acabados, que foram uma boa ferramenta para a separação, a independência e a autonomia, mas que em nossos tempos de interdependência devem ser substituídos. Que as instituições locais são capazes de enfrentar os problemas muito melhor, têm a dimensão adequada para ver e experimentar sua coletividade como uma totalidade. Podem levar adiante lutas muito mais efetivas para melhorar as escolas, a saúde, o emprego, a paisagem. Pede um tipo de Parlamento mundial de prefeitos das grandes cidades. Um Parlamento onde as pessoas falem e compartilhem experiências que são altamente parecidas. E as mudanças podem já estar aqui. Minha tese, quando eu estudava, foi sobre os movimentos operários na Grã Bretanha. Pesquisei nos arquivos do século XIX e nos jornais. Para minha surpresa, descobri que até 1875 não se mencionava que estava acontecendo uma revolução industrial, havia apenas informações dispersas. Que alguém tinha construído uma fábrica, que o teto de uma fábrica desabou… Para nós, é óbvio que estavam no coração de uma revolução, para eles, não. É possível que, quando você for entrevistar alguém dentro de 20 anos, essa pessoa lhe diga: “Quando você entrevistou o Bauman em Leeds, vocês estavam no meio de uma revolução e o senhor perguntava a ele sobre mudanças”.
23 de jan. de 2015
O PIB não mede o que realmente importa
Já há algum tempo temos discutido aqui no blog o quanto o PIB é um medidor limitado para avaliar o progresso das nações. Na prática ele mede toda a produção, o que inclui carros e construção de prisões, medicamentos e armas letais.
Da mesma forma que mais riqueza não significa necessariamente mais felicidade, um grande PIB não significa países melhores (ex: algumas potências econômicas são ditaduras - China, Rússia, etc).
Qual progresso realmente importa? Somente o econômico?
Diante desta complexidade, foi criado o ÍNDICE DE PROGRESSO SOCIAL (SPI em inglês) , através de uma entidade que reúne pessoas do calibre de Michael Porter.
Ao invés de medir somente o aumento da produção, o SPI mede 12 indicadores em 3 categorias (Necessidades Básicas, Bem Estar e Oportunidades):
Interessante notar que há claras diferenças entre o PIB per capita e o ranking do SPI. O Brasil, por exemplo, possui um SPI à frente da Rússia, embora tenha um PIB per capita menor. Isso se deve em grande parte pela correlação entre dinheiro e bem estar nem sempre fazer sentido.
Assista ao TED sobre o SPI, que aliás foi gravado no Rio de Janeiro :) (com legendas em Português).
Da mesma forma que mais riqueza não significa necessariamente mais felicidade, um grande PIB não significa países melhores (ex: algumas potências econômicas são ditaduras - China, Rússia, etc).
Qual progresso realmente importa? Somente o econômico?
Diante desta complexidade, foi criado o ÍNDICE DE PROGRESSO SOCIAL (SPI em inglês) , através de uma entidade que reúne pessoas do calibre de Michael Porter.
Ao invés de medir somente o aumento da produção, o SPI mede 12 indicadores em 3 categorias (Necessidades Básicas, Bem Estar e Oportunidades):
Interessante notar que há claras diferenças entre o PIB per capita e o ranking do SPI. O Brasil, por exemplo, possui um SPI à frente da Rússia, embora tenha um PIB per capita menor. Isso se deve em grande parte pela correlação entre dinheiro e bem estar nem sempre fazer sentido.
Assista ao TED sobre o SPI, que aliás foi gravado no Rio de Janeiro :) (com legendas em Português).
26 de out. de 2014
Por que os ricos tem menos tempo livre para lazer do que os pobres?
Interessante estudo apresentado na revista The Economist mostra que os ricos estão trabalhando mais do que os pobres.
Em média, uma pessoa com diploma universitário ou formação de pós-graduação tem 8 horas a menos de lazer por semana do que alguém sem diploma de curso superior (dados de trabalhadores norte-americanos de 2005).
Em metrópoles como São Paulo é cada vez mais comum notarmos que há executivos que trabalham 50, 60, 70 horas ou mais por semana. Se há uma conexão entre a pessoa e o trabalho que a deixa feliz, ótimo.
Mas o que dizer do tempo livre para cuidar de saúde, amigos e lazer de uma forma geral? Ou vamos assumir que estas outras áreas da vida não tem importância?
Para as pessoas que enxergam o trabalho apenas como carreira e um meio para ganhar dinheiro e um dia "se libertar", fica o alerta. Os executivos do mundo moderno estão trabalhando cada vez mais.
Why the rich now have less leisure than the poor
FOR most of human history rich people had the most leisure. In “Downton Abbey”, a drama about the British upper classes of the early 20th century, one aloof aristocrat has never heard of the term “weekend”: for her, every day is filled with leisure. On the flip side, the poor have typically slogged. Hans-Joachim Voth, an economic historian at the University of Zurich, shows that in 1800 the average English worker laboured for 64 hours a week. “In the 19th century you could tell how poor somebody was by how long they worked,” says Mr Voth.
In today’s advanced economies things are different. Overall working hours have fallen over the past century. But the rich have begun to work longer hours than the poor. In 1965 men with a college degree, who tend to be richer, had a bit more leisure time than men who had only completed high school. But by 2005 the college-educated had eight hours less of it a week than the high-school grads. Figures from the American Time Use Survey, released last year, show that Americans with a bachelor’s degree or above work two hours more each day than those without a high-school diploma. Other research shows that the share of college-educated American men regularly working more than 50 hours a week rose from 24% in 1979 to 28% in 2006, but fell for high-school dropouts. The rich, it seems, are no longer the class of leisure.
There are a number of explanations. One has to do with what economists call the “substitution effect”. Higher wages make leisure more expensive: if people take time off they give up more money. Since the 1980s the salaries of those at the top have risen strongly, while those below the median have stagnated or fallen. Thus rising inequality encourages the rich to work more and the poor to work less.
The “winner-takes-all” nature of modern economies may amplify the substitution effect. The scale of the global market means businesses that innovate tend to reap huge gains (think of YouTube, Apple and Goldman Sachs). The returns for beating your competitors can be enormous. Research from Peter Kuhn of the University of California, Santa Barbara, and Fernando Lozano of Pomona College shows that the same is true for highly skilled workers. Although they do not immediately get overtime pay for “extra” hours, the most successful workers, often the ones putting in the most hours, may reap gains from winner-takes-all markets. Whereas in the early 1980s a man working 55 hours a week earned 11% more than a man putting in 40 hours in the same type of occupation, that gap had increased to 25% by the turn of the millennium.
Economists tend to assume that the substitution effect must at some stage be countered by an “income effect”: as higher wages allow people to satisfy more of their material needs, they forgo extra work and instead choose more leisure. A billionaire who can afford his own island has little incentive to work that extra hour. But new social mores may have flipped the income effect on its head.
The status of work and leisure in the rich world has changed since the days of “Downton Abbey”. Back in 1899 Thorstein Veblen, an American economist who dabbled in sociology, offered his take on things. He argued that leisure was a “badge of honour”. Rich people could get others to do the dirty, repetitive work—what Veblen called “industry”. Yet Veblen’s leisure class was not idle. Rather they engaged in “exploit”: challenging and creative activities such as writing, philanthropy and debating.
Veblen’s theory needs updating, according to a recent paper from researchers at Oxford University*. Work in advanced economies has become more knowledge-intensive and intellectual. There are fewer really dull jobs, like lift-operating, and more glamorous ones, like fashion design. That means more people than ever can enjoy “exploit” at the office. Work has come to offer the sort of pleasures that rich people used to seek in their time off. On the flip side, leisure is no longer a sign of social power. Instead it symbolises uselessness and unemployment.
The evidence backs up the sociological theory. The occupations in which people are least happy are manual and service jobs requiring little skill. Job satisfaction tends to increase with the prestige of the occupation. Research by Arlie Russell Hochschild of the University of California, Berkeley, suggests that as work becomes more intellectually stimulating, people start to enjoy it more than home life. “I come to work to relax,” one interviewee tells Ms Hochschild. And wealthy people often feel that lingering at home is a waste of time. A study in 2006 revealed that Americans with a household income of more than $100,000 indulged in 40% less “passive leisure” (such as watching TV) than those earning less than $20,000.
Condemned to relax
What about less educated workers? Increasing leisure time probably reflects a deterioration in their employment prospects as low-skill and manual jobs have withered. Since the 1980s, high-school dropouts have fared badly in the labour market. In 1965 the unemployment rate of American high-school graduates was 2.9 percentage points higher than for those with a bachelor’s degree or more. Today it is 8.4 points higher. “Less educated people are not necessarily buying their way into leisure,” explains Erik Hurst of the University of Chicago. “Some of that time off work may be involuntary.” There may also be change in the income effect for those on low wages. Information technology, by opening a vast world of high-quality and cheap home entertainment, means that low-earners do not need to work as long to enjoy a reasonably satisfying leisure.
1 de jun. de 2014
Brasil: 82% das famílias ganham menos do que R$ 3.390 por mês
Esta pirâmide de distribuição de renda ajuda a explicar muito do que vemos no dia a dia.
Em parte explica por quê votamos tão mal, por quê estamos engatinhando em termos de Cidadania, Ética, Educação e referências culturais de qualidade. Somos o que somos pois a imensa maioria da população ainda está correndo atrás do básico. O básico que se compra com R$ 3.390 por família por mês (ou menos).
Sim, melhoramos muito nas últimas 2 décadas. No entanto, por mais que os governos vendam que já somos o país do futuro, a verdade é que ainda somos um país pobre.
Duas reflexões:
- Em que lugar você está no ranking de renda? A sua posição te fez valorizar mais a sua vida e o que já conquistou até hoje ao invés de continuar apenas querendo cada vez mais?
- Considerando que você deve fazer parte dos 10% mais ricos, qual a sua responsabilidade para fazer do Brasil um país melhor?
Obs: para quem quiser se aprofundar mais no assunto distribuição de renda, li aqui um ótimo comentário sobre o livro O Capital no Século XXI, que está gerando grande debate sobre o tema.
22 de jun. de 2013
A mudança começa dentro de você
O Brasil ainda é um país corrupto.
Tiramos 3,7 no índice de percepção da corrupção de 2010 (quanto mais perto de 10 menos corrupto é o país).
Os protestos começaram e a maioria das bandeiras faz muito sentido:
Por um país sem corrupção
Por educação e saúde padrão FIFA
Por um sistema político que nos represente e etc.
A história mostra que nenhuma grande mudança ocorre com todo mundo sentado no sofá da sala. O povo precisa demonstra sua insatisfação.
Tiramos 3,7 no índice de percepção da corrupção de 2010 (quanto mais perto de 10 menos corrupto é o país).
Somos campeões no futebol mas um time de terceira divisão quando o assunto é educação. Há várias pesquisas e metodologias mas em todas temos um resultado ridículo. Nesta aqui ficamos em penúltimo lugar dentre 40 países.
Nosso PIB é o sexto maior do mundo. Temos uma economia vigorosa e diversificada, que cresceu muito nos últimos anos. A desigualdade social diminuiu mas ainda ocupamos a posição 85 no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 2012. Estamos atrás do Irã e da Venezuela neste indicador.
Quem cresceu (como eu) no final dos anos 1980, sabe que hoje o Brasil é um país melhor em praticamente todos os aspectos.
Mas apesar dos avanços, ainda falta muito para sermos considerados um país desenvolvido e uma nação civilizada. Quem já viajou para o exterior sabe do que estou falando...Estamos décadas atrás da Europa e Estados Unidos, por exemplo.
Os protestos começaram e a maioria das bandeiras faz muito sentido:
Por um país sem corrupção
Por educação e saúde padrão FIFA
Por um sistema político que nos represente e etc.
A história mostra que nenhuma grande mudança ocorre com todo mundo sentado no sofá da sala. O povo precisa demonstra sua insatisfação.
Mas a coisa não pode parar por aí. As causas pelas quais lutamos tem que se estruturar, precisamos criar canais de diálogo com o governo e uma pauta de soluções específicas a ser defendida. Senão houver avanço neste sentido, as manifestações serão apenas um descontentamento com tudo e com todos. Um descontentamento generalizado que pode alimentar a violência e a perda de rumo e razão.
Que todos nós possamos colaborar com esta maravilhosa janela de oportunidade para mudar a história deste país para melhor.
E que sempre esteja conosco a atitude de ser o exemplo, a mudança que queremos ver no mundo, inspirando nossos filhos, amigos e conhecidos para agir com Ética e em prol do bem comum.
Obs.: (Atualização 23:00) Acabo de voltar para casa dirigindo pela marginal Tiête e Pinheiros, em São Paulo. Vi vários carros muito acima do limite de velocidade. Tive que desviar em diversos momentos e ao menos em duas oportunidades evitei uma colisão. Será que estes motoristas que dirigem como loucos são os mesmos que vão às ruas pedir mudanças?
Obs.: (Atualização 23:00) Acabo de voltar para casa dirigindo pela marginal Tiête e Pinheiros, em São Paulo. Vi vários carros muito acima do limite de velocidade. Tive que desviar em diversos momentos e ao menos em duas oportunidades evitei uma colisão. Será que estes motoristas que dirigem como loucos são os mesmos que vão às ruas pedir mudanças?
26 de ago. de 2012
Transparência e Democracia
Os Estados
Unidos tem sofrido com seguidas crises econômicas, mas ainda se mantém como a
maior economia do planeta. Em 2010, seu PIB representou US$ 14.7 trilhões.
Se as 500
maiores empresas do Mundo fossem um país, elas seriam responsáveis por um PIB
de US$ 21 trilhões, segundo a Fortune
Global 2007, o que representa cerca de 30% do
PIB mundial.
Há muitas
diferenças entre empresas e governos. Empresas buscam lucro e excelência em
inovação e qualidade. Governos devem (ou deveriam J) se preocupar com a melhora do
bem-estar de seus cidadãos.
Outra
diferença fundamental é que por pior que sejam os políticos, você tem a
possibilidade de escolher a cada 4 anos e fazer pressão para que eles prestem
contas e melhorem a gestão da cidade.
No caso das
empresas, nem eu nem você temos condições de eleger os presidentes...
Não quero
propor uma revolução nos moldes do velho e falido Socialismo. Empresas são
organizações voltadas para seus próprios interesses e desde que joguem dentro
das regras do jogo (seguindo regulações governamentais, práticas éticas e
sustentáveis), desempenham um papel fundamental na sociedade moderna.
O que
precisamos começar a encarar é que uma nova realidade exige novos
modelos de gestão.
Em pleno
século XXI, passados 250 anos da Revolução Industrial e o início de conquistas
fantásticas para a Humanidade, como a Democracia e os Direitos Humanos, ainda
vivemos num Planeta com mais de 7 bilhões de pessoas e das quais somente 35
milhões trabalham para as 500 maiores empresas do Mundo, que respondem por 30%
da riqueza mundial. Esta disparidade nos números é traduzida na enorme
desigualdade social que ainda persiste no mundo.
Embora o
movimento de responsabilidade social tenha se fortalecido nos últimos 20 anos,
as grandes corporações precisam fazer mais do que apenas vender seus produtos e
serviços e ganhar pedaços de papel coloridos que nós costumamos chamar de
dinheiro.
A questão que fica para organizações deste
porte e para todos nós que direta ou indiretamente podemos auxiliar neste processo de transformação:
Como as grandes empresas podem se abrir mais
para atender ao interesse público de seus consumidores e não-consumidores que são afetados (direta ou indiretamente) por
suas decisões?
9 de mai. de 2012
O que falta para o Brasil ser uma potência?
Por mais que tente evitar, é impossível não comparar os dois países.
Logicamente, o que vou dizer a seguir é minha opinião pessoal à partir das experiências que vivi. Não significa que sou o dono da verdade e que não aceito outras visões sobre o tema. Cada indivíduo é um mundo à parte e, como dito no post anterior, nossa percepção às vezes tem mais poder do que a própria realidade e isso influencia nossos comportamentos e opiniões.
Para mim, a primeira grande diferença é social. A Inglaterra é uma sociedade de classe média, com pouca desigualdade entre ricos e pobres se comparado ao Brasil. Efeito prático disso?
Menos desigualdade social = menos violência
Em 95% das situações em que eu estava em algum local público na Inglaterra, me sentia completamente seguro. Mesmo ao andar a pé em ruas quase desertas ou pegar um trem vazio após as 22h00, por exemplo.
Parar no farol e ficar atento ao movimento ao redor do carro? Nunca.
No Brasil recente, altas taxas de crescimento econômico e programas sociais como o bolsa família permitiram que milhões de pessoas entrassem na chamada classe média. Isso é um excelente sinal de nossa recente prosperidade econômica, mas ainda é pouco, quando percebemos que a classe média de países como a Inglaterra é mais rica, tem muito mais acesso a educação e saúde de qualidade do que aqui.
Afinal, por que a desigualdade social na Inglaterra é menor?
Respondendo somente com base nas conversas que tive a este respeito por lá, isso ocorre por que a diferença entre salários é muito menor. As faixas de imposto de renda chegam a até 50%. No caso do Brasil, a alíquota máxima é de 27.5%.
Outro elemento que influencia isso é a Educação. No Brasil, são poucos os que tem condições de pagar por uma educação de qualidade. Não me refiro a estas pessoas. Me refiro à maioria dos brasileiros.
Para comparar a qualidade da educação na força de trabalho, fiz o teste do McDonald's. Em vários momentos eu frequentava esta rede de fast food por lá e percebi que o atendimento, qualidade da comida e limpeza estão anos-luz a frente do McDonald's no Brasil.
Lógico que o McDonald's orienta suas lojas para o fornecerem o melhor atendimento possível em todo o Mundo e na minha opinião, a variação para melhor ou pior está ligada à qualidade do trabalho dos funcionários que por sua vez é determinada por sua formação profissional.
O que falta para o Brasil ser uma potência?
Para mim, o sucesso de uma nação não significa o tamanho do seu PIB (que cresce também quando vendemos mais armas, carros e antidepressivos). País bem sucedido é aquele que consegue prover a melhor qualidade de vida para o maior número possível de cidadãos.
No modelo econômico Capitalista em que estamos inseridos, qualidade de vida está diretamente relacionada à menor desigualdade social, que na prática significa mais oportunidades de estudo, trabalho e lazer a todos.
Portanto, se quisermos ser uma potência no sentido digno da palavra, precisamos dentre outras prioridades, diminuir a enorme desigualdade social entre ricos e pobres.
Obs.: esta experiência internacional também me abriu os olhos para um lado positivo e extraordinário do Brasil que muitas vezes passava despercebido. Falarei mais a respeito em outros posts.
17 de abr. de 2012
Programado para falhar
Eu sempre achei que a Obsolescência Programada fosse uma teoria da conspiração sem fundamento, mas mudei de opinião após assistir a este documentário produzido pela TV Espanha.
Você sabia que sua impressora Epson pode ter um chip programado para travar a máquina após um certo número de cópias?
Que tal um iPod com bateria que dura no máximo 18 meses?
A lâmpada foi criada por Thomas Edison no final do século XIX e após alguns anos fabricantes desenvolveram lâmpadas que duravam 2.500 horas. Isso mudou nos anos 1930, quando um cartel formado por empresas decidiu produzir lâmpadas piores, que tivessem uma duração máxima de 1.000 horas.
Produtos que falham obrigam seus consumidores a comprar novos. Junte a isso mais crédito disponível para os consumidores e a crescente necessidade de ter o mais novo, alimentada pelo Marketing. Pronto, temos a fórmula perfeita para o crescimento econômico.
Um crescimento econômico que não significa mais felicidade e bem-estar.
Uma fórmula que está destruindo o planeta e jogando seu lixo em países como Gana, conforme o documentário mostra.
Um filme assustador e que gera uma profunda reflexão sobre consumismo, em linha com o post anterior.
Você sabia que sua impressora Epson pode ter um chip programado para travar a máquina após um certo número de cópias?
Que tal um iPod com bateria que dura no máximo 18 meses?
A lâmpada foi criada por Thomas Edison no final do século XIX e após alguns anos fabricantes desenvolveram lâmpadas que duravam 2.500 horas. Isso mudou nos anos 1930, quando um cartel formado por empresas decidiu produzir lâmpadas piores, que tivessem uma duração máxima de 1.000 horas.
Produtos que falham obrigam seus consumidores a comprar novos. Junte a isso mais crédito disponível para os consumidores e a crescente necessidade de ter o mais novo, alimentada pelo Marketing. Pronto, temos a fórmula perfeita para o crescimento econômico.
Um crescimento econômico que não significa mais felicidade e bem-estar.
Uma fórmula que está destruindo o planeta e jogando seu lixo em países como Gana, conforme o documentário mostra.
Um filme assustador e que gera uma profunda reflexão sobre consumismo, em linha com o post anterior.
24 de mar. de 2012
Como medir a Felicidade no Brasil?
Embora a mídia brasileira e internacional insista em comparar o desempenho dos países com base no Produto Interno Bruto (PIB), está claro que este indicador não representa o sucesso de uma nação.
Como o PIB mede basicamente a geração de riqueza, isso significa que um crescimento neste indicador pode vir tanto da produção de carros quanto de armas. Quanto maior o consumo (apesar do impacto ambiental), melhor para o PIB.
O Brasil caminha rapidamente para se tornar a quinta economia do Mundo até a metade desta década, mas por outro lado ainda patina nos avanços sociais necessários para que sejamos um país desenvolvido. Basta comparar nosso sistema educacional e de saúde com o dos países da Europa Ocidental, por exemplo.
Portanto, nosso sucesso no PIB não significa muita coisa.
Nós (e os demais países do globo) precisamos de um indicador que vá medir aquilo que faz a vida valer a pena: a felicidade e o bem-estar.
Portanto, o FIB (Felicidade Interna Bruta), faz muito mais sentido do que o PIB.
Esta ideia já foi amplamente defendida por pensadores como Eduardo Gianetti, no seu livro Felicidade e Martin Seligman, ao refletir sobre a Psicologia Positiva, além de já ser uma realidade no Butão (desde 1972!), um reino de 700 mil habitantes ao norte da Índia.
Ao que tudo indica, começaremos a ouvir falar do FIB no Brasil à partir da iniciativa pioneira de pesquisadores da Fundação Getúlio Vargas. Excelente notícia!
Índice vai medir felicidade do brasileiro
FGV-SP elabora a metodologia do novo índice, a Felicidade Interna Bruta; intenção é fornecer os resultados ao governo federal para auxiliar no desenvolvimento de políticas públicas
23 de março de 2012 | 22h 45
Roberta Scrivano
www.estadao.com.br
SÃO PAULO - A riqueza do País pode começar a ser mensurada de outra forma. No lugar do Produto Interno Bruto (PIB), a Felicidade Interna Bruta (FIB). A Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP) está empenhada na elaboração da metodologia do novo índice. A intenção é fornecer os resultados ao governo federal para auxiliar no desenvolvimento de políticas públicas.
O FIB já existe no Butão, um pequeno reino incrustado nas cordilheiras do Himalaia. Lá, o contentamento da população é mais importante que o desempenho da produção industrial. O índice pensado pela FGV, no entanto, não será tão radical. "O PIB será um dos componentes do cálculo", esclarece Fábio Gallo, professor da FGV-SP que, ao lado de Wesley Mendes, encabeça o desenvolvimento do estudo.
O PIB é considerado por diversos especialistas um índice incompleto. Dados como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) ou o nível de segurança das cidades não são contabilizados. Portanto, elencar a grandeza das nações pelos bilhões acumulados com produção industrial e comercial, por exemplo, é, para esses especialistas, uma distorção da realidade.
"Elaborar o índice que queremos é algo complexo. São muitos dados subjetivos que variam de Estado para Estado", explica Gallo. Num país do tamanho do Brasil, com regiões diferentes entre si, a tarefa fica ainda mais complicada. "Tudo será sob medida para cada uma das regiões. Dessa forma, chegaremos a bons resultados, que reflitam a situação real do País", completa Mendes.
Os professores salientam que o PIB falha ao computar os custos ambientais e, ao mesmo tempo, inclui em seu cálculo formas de crescimento econômico prejudiciais ao bem-estar da população. Gastos com crime, atendimento médico, divórcio e até desastres naturais como tsunamis colaboram para elevar o PIB.
O primeiro passo do desenvolvimento da metodologia do FIB brasileiro já foi dado pela FGV, e mostra que a riqueza econômica não é o principal fator de felicidade da população. Um questionário com jovens adultos de São Paulo e de Santa Maria, pequena cidade no interior do Rio Grande do Sul, mostrou que o índice de satisfação dos jovens gaúchos é 22,5% maior que o dos paulistanos. Entre os 11 aspectos de vida estudados, os mais relevantes para a percepção de satisfação foram vida social, situação financeira e atividades ao ar livre.
Ainda de acordo com essa primeira etapa da pesquisa, a principal preocupação dos paulistanos é com segurança pessoal, enquanto a principal satisfação é com perspectivas de crescimento acadêmico. Entre os gaúchos, a preocupação é com as expectativas de conseguir um bom trabalho. A satisfação é com a boa vida social. "Sociedade feliz é aquela em que todos têm acesso aos serviços básicos de saúde, educação, previdência social, cultura, lazer", afirma Fábio Gallo.
SÃO PAULO - A riqueza do País pode começar a ser mensurada de outra forma. No lugar do Produto Interno Bruto (PIB), a Felicidade Interna Bruta (FIB). A Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP) está empenhada na elaboração da metodologia do novo índice. A intenção é fornecer os resultados ao governo federal para auxiliar no desenvolvimento de políticas públicas.
O FIB já existe no Butão, um pequeno reino incrustado nas cordilheiras do Himalaia. Lá, o contentamento da população é mais importante que o desempenho da produção industrial. O índice pensado pela FGV, no entanto, não será tão radical. "O PIB será um dos componentes do cálculo", esclarece Fábio Gallo, professor da FGV-SP que, ao lado de Wesley Mendes, encabeça o desenvolvimento do estudo.
O PIB é considerado por diversos especialistas um índice incompleto. Dados como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) ou o nível de segurança das cidades não são contabilizados. Portanto, elencar a grandeza das nações pelos bilhões acumulados com produção industrial e comercial, por exemplo, é, para esses especialistas, uma distorção da realidade.
"Elaborar o índice que queremos é algo complexo. São muitos dados subjetivos que variam de Estado para Estado", explica Gallo. Num país do tamanho do Brasil, com regiões diferentes entre si, a tarefa fica ainda mais complicada. "Tudo será sob medida para cada uma das regiões. Dessa forma, chegaremos a bons resultados, que reflitam a situação real do País", completa Mendes.
Os professores salientam que o PIB falha ao computar os custos ambientais e, ao mesmo tempo, inclui em seu cálculo formas de crescimento econômico prejudiciais ao bem-estar da população. Gastos com crime, atendimento médico, divórcio e até desastres naturais como tsunamis colaboram para elevar o PIB.
O primeiro passo do desenvolvimento da metodologia do FIB brasileiro já foi dado pela FGV, e mostra que a riqueza econômica não é o principal fator de felicidade da população. Um questionário com jovens adultos de São Paulo e de Santa Maria, pequena cidade no interior do Rio Grande do Sul, mostrou que o índice de satisfação dos jovens gaúchos é 22,5% maior que o dos paulistanos. Entre os 11 aspectos de vida estudados, os mais relevantes para a percepção de satisfação foram vida social, situação financeira e atividades ao ar livre.
Ainda de acordo com essa primeira etapa da pesquisa, a principal preocupação dos paulistanos é com segurança pessoal, enquanto a principal satisfação é com perspectivas de crescimento acadêmico. Entre os gaúchos, a preocupação é com as expectativas de conseguir um bom trabalho. A satisfação é com a boa vida social. "Sociedade feliz é aquela em que todos têm acesso aos serviços básicos de saúde, educação, previdência social, cultura, lazer", afirma Fábio Gallo.
29 de out. de 2011
Crescimento econômico é a solução?
Desde o fim da Guerra Fria, e a "vitória" do Capitalismo, criou-se quase um consenso entre economistas, mídia e grande parte da sociedade civil de que o crescimento econômico é fundamental para gerar bem-estar, oportunidades e uma sociedade mais avançada.
Será que só isso basta?
Este TED discute uma outra visão.
Países mais ricos não tem necessariamente melhores índices de educação, saúde e violência. Por exemplo, nos Estados Unidos, a taxa de violência é muito maior do que no Japão e Noruega, embora os EUA tenha um PIB maior do que ambos.
Por que?
Com base em pesquisas que avaliaram a correlação entre PIB per capita, desigualdade social e diversos indicadores, fica claro que a desigualdade social gera uma sociedade mais doente, menos educada, mais violenta.
Portanto, para países que já possuem uma grande economia, a maior prioridade deveria ser distribuir a renda, em vez de manter o foco exclusivo no crescimento econômico.
Embora um pouco óbvia, esta conclusão precisa urgentemente ser compartilhada com os governantes dos Estados Unidos e alguns países da Europa, que criaram a crise econômica mundial de 2008 (que se extende até hoje), com base no excesso de crédito para sustentar uma cultura extremamente consumista e imediatista.
Será que só isso basta?
Este TED discute uma outra visão.
Países mais ricos não tem necessariamente melhores índices de educação, saúde e violência. Por exemplo, nos Estados Unidos, a taxa de violência é muito maior do que no Japão e Noruega, embora os EUA tenha um PIB maior do que ambos.
Por que?
Com base em pesquisas que avaliaram a correlação entre PIB per capita, desigualdade social e diversos indicadores, fica claro que a desigualdade social gera uma sociedade mais doente, menos educada, mais violenta.
Portanto, para países que já possuem uma grande economia, a maior prioridade deveria ser distribuir a renda, em vez de manter o foco exclusivo no crescimento econômico.
Embora um pouco óbvia, esta conclusão precisa urgentemente ser compartilhada com os governantes dos Estados Unidos e alguns países da Europa, que criaram a crise econômica mundial de 2008 (que se extende até hoje), com base no excesso de crédito para sustentar uma cultura extremamente consumista e imediatista.
18 de out. de 2011
O Caso da Espanha
A Espanha está passando por uma grave crise econômica, fruto do alto endividamento da sociedade civil e do governo.
As vezes, não há nada melhor para explicar situações trágicas do que através do humor.
Embora o vídeo explique o processo que gerou a crise de uma forma simplista, fiquei me questionando se o Brasil não está indo na mesma direção, com o aumento irracional dos preços dos imóveis e o crescimento do crédito, mesmo que a taxas de juros absurdas...
Vale pensar duas vezes antes de assumir dívidas a longo prazo.
4 de out. de 2011
Dinheiro pode desmotivar
Esta semana, li um artigo sobre os benefícios sociais que o governo do Reino Unido está oferecendo aos desempregados. A Inglaterra e praticamente toda a Europa estão mergulhados em uma crescente crise econômica, gerada basicamente pelos déficits contraídos pelos governos para aquecer suas economias durante a crise de 2008.
A principal discussão do artigo estava baseada numa pesquisa que descobriu que os desempregados britânicos gastam apenas 8 minutos por dia procurando emprego.
Ao que tudo indica, os benefícios sociais (basicamente dinheiro oferecido pelo governo aos desempregados) criaram um comodismo que faz as pessoas pararem de procurar emprego, em vez de gerar o efeito contrário.
Agora, o governo britânico está disposto a apertar a cobrança para que os desempregados aceitem trabalhar em empregos que ficam a até 1 hora e meia de distância de suas casas e a aceitar ofertas de trabalho, sob o risco de terem seus benefícios sociais cancelados caso decidam continuar desempregados.
Isso não é um problema exclusivo do governo do Reino Unido. No Brasil há também alegações de que o programa Bolsa Família gera comodismo e muitas pessoas deixam de trabalhar ou de procurar emprego para continuarem a receber o dinheiro do governo.
Dar incentivos para motivar os outros a fazerem algo é um problema de todas as organizações.
O exemplo mais clássico ocorre na área de vendas. Se por um lado, um salário variável pode significar um bom mecanismo para incentivar vendas acima dos objetivos, por outro lado geralmente significa uma remuneração que os consultores de vendas tendem a considerar como parte integrante do seu salário. E quando os objetivos não são atingidos, há uma grande insatisfação, geralmente muito maior do que a motivação gerada quando os resultados são atingidos.
Segundo o autor Daniel Pink (leia mais aqui), há estudos que comprovam que para tarefas não repetitivas, as chamadas “cenouras” ou prêmios por recompensa, diminuem a motivação dos funcionários.
Recompensas em dinheiro funcionam bem para trabalhos repetitivos, algo cada vez menos presente na sociedade atual, onde o conhecimento e as idéias tem impacto muito maior do que braços e músculos.
Portanto, se sua empresa é uma fábrica com trabalhos repetitivos, vale a pena pensar num mecanismo do tipo: “Produza mais e ganhe mais.”
Senão, em vez de gastar dinheiro com recompensas que podem desmotivar e levar a atitudes contrárias às desejadas, invista em treinamento, diálogo e uma gestão humana e democrática. Isso sim aumenta a motivação, pois no final todos querem ser tratados como Seres Humanos adultos, algo ainda incomum nas empresas de hoje em dia.
2 de set. de 2010
Como medir a felicidade do Planeta?
Compartilho um excelente vídeo apresentado no TED Global 2010.
Precisamos de novos indicadores para medir o que realmente faz a vida valer a pena...
Precisamos de novos indicadores para medir o que realmente faz a vida valer a pena...
2 de ago. de 2010
Brasil chega a PIB per capita de US$ 10 mil em 2010. E agora?
Segundo as pesquisas que correlacionam Felicidade e Renda (veja post anterior), após atingir uma renda per capita de US$ 10.000, o nível de felicidade se mantém estável.
Parece que chegou a vez do Brasil entrar no clube dos países com este nível de renda.
Será que agora seremos mais felizes?
Como preparar nossas vidas, empresas e carreiras para esta nova década de prosperidade econômica?
De que maneira poderemos colaborar com o esforço coletivo da nação para um projeto de QUALIDADE NA EDUCAÇÃO que nos conduza realmente ao nível dos países desenvolvidos? O que você pretende fazer a respeito disso?
Brasil chega a PIB per capita de US$ 10 mil em 2010. E agora?
Economia ultrapassa média da renda per capita mundial e pode chegar até US$ 20 mil até o fim desta década
Klinger Portella, iG São Paulo
29/07/2010 05:00
Parece que chegou a vez do Brasil entrar no clube dos países com este nível de renda.
Será que agora seremos mais felizes?
Como preparar nossas vidas, empresas e carreiras para esta nova década de prosperidade econômica?
De que maneira poderemos colaborar com o esforço coletivo da nação para um projeto de QUALIDADE NA EDUCAÇÃO que nos conduza realmente ao nível dos países desenvolvidos? O que você pretende fazer a respeito disso?
Brasil chega a PIB per capita de US$ 10 mil em 2010. E agora?
Economia ultrapassa média da renda per capita mundial e pode chegar até US$ 20 mil até o fim desta década
Klinger Portella, iG São Paulo
29/07/2010 05:00
Demorou cinco séculos, mas a economia brasileira está próxima de alcançar a marca de US$ 10 mil de renda per capita, segundo projeções de economistas e dados oficiais tabulados pelo iG. Com a expectativa de apresentar o maior crescimento das últimas duas décadas e meia, o Brasil deve se colocar acima da média mundial do PIB per capita – resultado da divisão entre as riquezas produzidas por um país e sua população.
Ao atingir o novo padrão de renda, uma classe média emergente começa a mudar o perfil da economia brasileira, com o setor de serviços ocupando mais espaço, em detrimento da indústria, segundo dizem economistas. Essa mudança estrutural deve acelerar o ritmo de expansão econômica, a exemplo do que aconteceu com países desenvolvidos, como Estados Unidos e Japão, décadas atrás.
Estimativas da LCA Consultores mostram que, em 2020, o PIB per capita deve dobrar, atingindo a casa dos US$ 22,7 mil. Os Estados Unidos, que bateram os US$ 10 mil per capita em 1978, dobraram a renda exatamente dez anos mais tarde, enquanto o Japão precisou de apenas quatro anos para o PIB per capita saltar de US$ 10,8 mil em 1984 para US$ 23,9 mil em 1988.

Depois de alcançar um PIB per capita de R$ 16.414 - o equivalente a US$ 8.220 no fim do ano passado - o Brasil deve atingir PIB per capita de quase R$ 17,5 mil, que, dividido pela cotação do dólar esperado para o fim do ano, chegará aos US$ 10 mil nos próximos meses. A expectativa é de que essa mudança de patamar ocorra até o fim do ano, ou no início de 2011.
O Brasil deve encerrar 2010 com um PIB projetado de R$ 3,22 trilhões (o 8º maior do mundo) e uma população por volta de 193,3 milhões de habitantes (a 5ª maior do mundo). A Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda projeta crescimento da renda per capita em 5,5% neste ano, o maior desde 1985.
Com uma população com renda média superior a US$ 10 mil anuais, o setor de serviços ganha mais peso no desenho econômico brasileiro, já que as famílias passam a ter mais opções de gastos com consumo de produtos e serviços mais sofisticados. Pesquisa realizada pela financeira do banco francês BNP Paribas mostrou que os gastos da classe C com vestuário são duas vezes maiores que os da classe D e E, enquanto as despesas com pagamento de prestações chegam a ser três vezes maiores entre uma classe e outra.
“Quando as pessoas têm uma renda baixa, usam pouco serviço. Conforme a renda aumenta, a participação do serviço aumenta na cesta de consumo”, diz o economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges.
Dados da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que as despesas de consumo das famílias brasileiras chegaram à média mensal de R$ 2.134,77. Os gastos com habitação lideram a lista, com 35,9% do total, seguidos por alimentação (19,8%) e transporte (19,6%).
O consumo das famílias, que respondeu por 4,1% do PIB em 2009, está em franca ascensão. Segundo a LCA, neste ano, as famílias consumirão 6,4% do PIB - algo em torno de R$ 230 bilhões. Para 2020, os números devem chegar a R$ 467 bilhões (praticamente o PIB da África do Sul em 2009).
O impacto disso é claro: o Brasil tem hoje mais de 70 milhões de usuários de internet, movimentando R$ 10,6 bilhões em comércio eletrônico. São mais de 53 milhões de televisores, 23 milhões de máquinas de lavar, 2,5 milhões de veículos novos emplacados por ano e 175 milhões de telefones celulares.
Embora apresente um número vistoso, o PIB per capita brasileiro pode não captar a desigualdade na distribuição da renda, já que o resultado é a divisão da riqueza produzida pelo número de habitantes. O Estado de São Paulo, por exemplo, tinha, em 2008, PIB per capita de R$ 22,6 mil (US$ 9,67 mil), enquanto, no Piauí, a renda era de R$ 4,6 mil (US$ 1,96 mil) - equivalente ao PIB per capita da Mauritânia.
Distribuição de renda
Na avaliação dos economistas consultados pelo iG, o Brasil concilia um período de crescimento econômico com melhor distribuição de renda – algo difícil de ser observado. “A expansão desta década de 2000 tem feito com que a pobreza caia e, com isso, há uma mudança no perfil da distribuição de renda”, diz Jorge Abrahão de Castro, diretor de Estudos e Políticas Sociais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Estudo realizado pelo próprio Ipea mostra que, em 30 anos, a transferência de renda saltou de 8% para 20% de participação no rendimento familiar do brasileiro. “Muito se fala do Bolsa Família, mas a maior transferência que se faz no Brasil é para aposentados e pensionistas, com mais de 15% do PIB”, diz Bráulio Borges, da LCA.
Outro ponto importante destacado pelos economistas é o aumento real do salário mínimo, que ampliou o poder de compra das famílias. “É um ciclo virtuoso: a melhoria da renda dos mais pobres aumenta o consumo e isso tem um efeito multiplicador no espaço econômico, principalmente, no mercado interno”, afirma Castro.
Segundo o diretor do Ipea, para não desperdiçar a chance de dobrar a renda nos próximos dez anos, é necessária uma elevação nos gastos com investimento, para que a demanda possa ser suprida pela oferta. Além disso, possíveis choques no exterior podem afetar o bom andamento da economia brasileira.
O economista-chefe da LCA diz que, se o País mantiver o tripé meta de inflação, cambio flutuante e austeridade fiscal, dificilmente um choque externo poderá abalar de forma relevante o crescimento econômico do Brasil.
Para Bráulio Borges, no entanto, a educação é o grande gargalo do País nos próximos anos, já que a mudança do quadro de desigualdade social é uma coisa “que levaria décadas”. “As políticas de transferências evitam uma piora da situação, mas, para mudar de forma crucial, somente o investimento na qualidade da educação”, afirma.
Ao atingir o novo padrão de renda, uma classe média emergente começa a mudar o perfil da economia brasileira, com o setor de serviços ocupando mais espaço, em detrimento da indústria, segundo dizem economistas. Essa mudança estrutural deve acelerar o ritmo de expansão econômica, a exemplo do que aconteceu com países desenvolvidos, como Estados Unidos e Japão, décadas atrás.
Estimativas da LCA Consultores mostram que, em 2020, o PIB per capita deve dobrar, atingindo a casa dos US$ 22,7 mil. Os Estados Unidos, que bateram os US$ 10 mil per capita em 1978, dobraram a renda exatamente dez anos mais tarde, enquanto o Japão precisou de apenas quatro anos para o PIB per capita saltar de US$ 10,8 mil em 1984 para US$ 23,9 mil em 1988.

Depois de alcançar um PIB per capita de R$ 16.414 - o equivalente a US$ 8.220 no fim do ano passado - o Brasil deve atingir PIB per capita de quase R$ 17,5 mil, que, dividido pela cotação do dólar esperado para o fim do ano, chegará aos US$ 10 mil nos próximos meses. A expectativa é de que essa mudança de patamar ocorra até o fim do ano, ou no início de 2011.
O Brasil deve encerrar 2010 com um PIB projetado de R$ 3,22 trilhões (o 8º maior do mundo) e uma população por volta de 193,3 milhões de habitantes (a 5ª maior do mundo). A Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda projeta crescimento da renda per capita em 5,5% neste ano, o maior desde 1985.
Com uma população com renda média superior a US$ 10 mil anuais, o setor de serviços ganha mais peso no desenho econômico brasileiro, já que as famílias passam a ter mais opções de gastos com consumo de produtos e serviços mais sofisticados. Pesquisa realizada pela financeira do banco francês BNP Paribas mostrou que os gastos da classe C com vestuário são duas vezes maiores que os da classe D e E, enquanto as despesas com pagamento de prestações chegam a ser três vezes maiores entre uma classe e outra.
“Quando as pessoas têm uma renda baixa, usam pouco serviço. Conforme a renda aumenta, a participação do serviço aumenta na cesta de consumo”, diz o economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges.
Dados da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que as despesas de consumo das famílias brasileiras chegaram à média mensal de R$ 2.134,77. Os gastos com habitação lideram a lista, com 35,9% do total, seguidos por alimentação (19,8%) e transporte (19,6%).
O consumo das famílias, que respondeu por 4,1% do PIB em 2009, está em franca ascensão. Segundo a LCA, neste ano, as famílias consumirão 6,4% do PIB - algo em torno de R$ 230 bilhões. Para 2020, os números devem chegar a R$ 467 bilhões (praticamente o PIB da África do Sul em 2009).
O impacto disso é claro: o Brasil tem hoje mais de 70 milhões de usuários de internet, movimentando R$ 10,6 bilhões em comércio eletrônico. São mais de 53 milhões de televisores, 23 milhões de máquinas de lavar, 2,5 milhões de veículos novos emplacados por ano e 175 milhões de telefones celulares.
Embora apresente um número vistoso, o PIB per capita brasileiro pode não captar a desigualdade na distribuição da renda, já que o resultado é a divisão da riqueza produzida pelo número de habitantes. O Estado de São Paulo, por exemplo, tinha, em 2008, PIB per capita de R$ 22,6 mil (US$ 9,67 mil), enquanto, no Piauí, a renda era de R$ 4,6 mil (US$ 1,96 mil) - equivalente ao PIB per capita da Mauritânia.
Distribuição de renda
Na avaliação dos economistas consultados pelo iG, o Brasil concilia um período de crescimento econômico com melhor distribuição de renda – algo difícil de ser observado. “A expansão desta década de 2000 tem feito com que a pobreza caia e, com isso, há uma mudança no perfil da distribuição de renda”, diz Jorge Abrahão de Castro, diretor de Estudos e Políticas Sociais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Estudo realizado pelo próprio Ipea mostra que, em 30 anos, a transferência de renda saltou de 8% para 20% de participação no rendimento familiar do brasileiro. “Muito se fala do Bolsa Família, mas a maior transferência que se faz no Brasil é para aposentados e pensionistas, com mais de 15% do PIB”, diz Bráulio Borges, da LCA.
Outro ponto importante destacado pelos economistas é o aumento real do salário mínimo, que ampliou o poder de compra das famílias. “É um ciclo virtuoso: a melhoria da renda dos mais pobres aumenta o consumo e isso tem um efeito multiplicador no espaço econômico, principalmente, no mercado interno”, afirma Castro.
Segundo o diretor do Ipea, para não desperdiçar a chance de dobrar a renda nos próximos dez anos, é necessária uma elevação nos gastos com investimento, para que a demanda possa ser suprida pela oferta. Além disso, possíveis choques no exterior podem afetar o bom andamento da economia brasileira.
O economista-chefe da LCA diz que, se o País mantiver o tripé meta de inflação, cambio flutuante e austeridade fiscal, dificilmente um choque externo poderá abalar de forma relevante o crescimento econômico do Brasil.
Para Bráulio Borges, no entanto, a educação é o grande gargalo do País nos próximos anos, já que a mudança do quadro de desigualdade social é uma coisa “que levaria décadas”. “As políticas de transferências evitam uma piora da situação, mas, para mudar de forma crucial, somente o investimento na qualidade da educação”, afirma.
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