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7 de abr. de 2013

No Brasil cada voto custa mais de R$ 20

Quem manda no governo?

Quem elege os candidatos?

O povo, é claro.

Sim, esta é a base de qualquer sistema Democrático. O governo é eleito pelo povo e a ele deve representar.

Infelizmente não é isso que as eleições brasileiras traduzem.

Você se sente representado por Renan Calheiros e José Sarney? Ou por Paulo Maluf e Anthony Garotinho?

Por quê estes velhos nomes continuam a ganhar eleições?

Eles, como a imensa maioria do Congresso Nacional, entenderam que só é possível ganhar uma eleição com dinheiro. Muito dinheiro.

Com dinheiro nas mãos você consegue fazer a campanha que quiser para convencer (ou no caso dos nomes acima, enganar) seu eleitor.

Nas eleições de 2012 cada voto custou R$ 20,41. Em 2002 este custo era de apenas R$ 1,31 por voto, segundo a ONG Transparência Brasil. Um aumento de 1458% em 10 anos, enquanto que a inflação acumulada no período foi pouco superior a 50%.

Este TED mostra a faceta do problema sob a ótica dos EUA. Lá, como aqui, o financiamento de campanhas políticas também é privado (no Brasil há um modelo misto, pois os partidos também recebem verbas do fundo partidário, que é financiado pelo orçamento da União).

Nos EUA, apenas 132 indivíduos ou organizações financiaram 60% de todo o gasto da última eleição para eleger o Congresso Norte-Americano.

A classe política gasta hoje grande parte de seu tempo correndo atrás dos financiadores de campanha, para garantir que possam ficar mais 4 ou 8 anos no poder.

Hoje em dia, quem verdadeiramente elege a imensa maioria dos políticos são os financiadores e seus interesses particulares.

Chegou a hora de mudarmos isso. Somente com um sistema de financiamento transparente e com rigoroso limite de valor doado por pessoa é que teremos novamente um governo a serviço do povo.

Controle o quanto seu candidato recebeu em cada eleição e cobre seu Deputado e Senador por uma reforma política que contemple a alteração do financiamento das campanhas políticas.

28 de dez. de 2012

Educação fora da escola

A primeira vez que assisti um vídeo do Tião, achei que ele era louco.

Seu sonho?

Acabar com a escola tradicional. Transformar cidades em escolas.

Quem disse que a educação tem que acontecer atrás de uma mesa, numa sala com 4 paredes e uma lousa?

Por quê não educar crianças embaixo de um pé de manga?



A mesma lógica se aplica as empresas.

Para que continuar fechado num escritório o dia todo se as melhores ideias surgem quando estamos no parque, no café com os amigos ou até mesmo no chuveiro?

Procure novos espaços para fazer suas reuniões.

Saia a campo e converse com o cliente olho no olho.

Chame seus clientes internos e externos para construir seus projetos com sua equipe.

Pense fora da caixa (e da sala)!

26 de ago. de 2012

Transparência e Democracia



Os Estados Unidos tem sofrido com seguidas crises econômicas, mas ainda se mantém como a maior economia do planeta. Em 2010, seu PIB representou US$ 14.7 trilhões.

Se as 500 maiores empresas do Mundo fossem um país, elas seriam responsáveis por um PIB de US$ 21 trilhões, segundo a Fortune Global 2007, o que representa cerca de 30% do PIB mundial.

Há muitas diferenças entre empresas e governos. Empresas buscam lucro e excelência em inovação e qualidade. Governos devem (ou deveriam J) se preocupar com a melhora do bem-estar de seus cidadãos.
Outra diferença fundamental é que por pior que sejam os políticos, você tem a possibilidade de escolher a cada 4 anos e fazer pressão para que eles prestem contas e melhorem a gestão da cidade.

No caso das empresas, nem eu nem você temos condições de eleger os presidentes...

Não quero propor uma revolução nos moldes do velho e falido Socialismo. Empresas são organizações voltadas para seus próprios interesses e desde que joguem dentro das regras do jogo (seguindo regulações governamentais, práticas éticas e sustentáveis), desempenham um papel fundamental na sociedade moderna.

O que precisamos começar a encarar é que uma nova realidade exige novos modelos de gestão.

Em pleno século XXI, passados 250 anos da Revolução Industrial e o início de conquistas fantásticas para a Humanidade, como a Democracia e os Direitos Humanos, ainda vivemos num Planeta com mais de 7 bilhões de pessoas e das quais somente 35 milhões trabalham para as 500 maiores empresas do Mundo, que respondem por 30% da riqueza mundial. Esta disparidade nos números é traduzida na enorme desigualdade social que ainda persiste no mundo.

Embora o movimento de responsabilidade social tenha se fortalecido nos últimos 20 anos, as grandes corporações precisam fazer mais do que apenas vender seus produtos e serviços e ganhar pedaços de papel coloridos que nós costumamos chamar de dinheiro.

A questão que fica para organizações deste porte e para todos nós que direta ou indiretamente podemos auxiliar neste processo de transformação:

Como as grandes empresas podem se abrir mais para atender ao interesse público de seus consumidores e não-consumidores que são afetados (direta ou indiretamente) por suas decisões?

25 de jun. de 2012

Olhos Azuis

Seguindo o post de meu irmão no blog PENSAR, assisti ao fantástico documentário "Olhos Azuis", no qual a professora norte-americana Jane Elliott faz um experimento social sobre o preconceito.

Dois grupos são separados. Um formado por pessoas de olhos azuis e consideradas inferiores. O outro grupo é o dominante e formado por pessoas de olhos castanhos.

Jane pratica esta experimento com seus alunos da terceira série do ensino fundamental desde 1968, não por coincidência o ano do assassinato de Martin Luther King.

O experimento com seus alunos é ainda mais desafiador. No primeiro dia as crianças ficam no grupo das dominadas e no dia seguinte, no grupo dominante. Um fotógrafo acompanha as duas sessões e capta o momento em que cada criança está exercendo os papéis. O resultado: imagens de arrepiar.

Um documentário que não discute somente o absurdo (e ainda persistente) racismo contra negros. As situações ilustradas se aplicam a qualquer disputa pelo poder e me lembraram de muitas situações cotidianas que vemos nas ruas e nos escritórios do Brasil e do mundo.

"Olhos Azuis" é uma porrada em nossos preconceitos.

Uma luz para nos acordar a uma nova realidade na qual possamos realmente aprender com o que é diferente de nós, seja em cor de pele, pensamento ou até mesmo na cor dos olhos...


9 de mai. de 2012

O que falta para o Brasil ser uma potência?


Na semana passada retornei ao Brasil, após morar e trabalhar na Inglaterra por 1 ano.

Por mais que tente evitar, é impossível não comparar os dois países.

Logicamente, o que vou dizer a seguir é minha opinião pessoal à partir das experiências que vivi. Não significa que sou o dono da verdade e que não aceito outras visões sobre o tema. Cada indivíduo é um mundo à parte e, como dito no post anterior, nossa percepção às vezes tem mais poder do que a própria realidade e isso influencia nossos comportamentos e opiniões.

Para mim, a primeira grande diferença é social. A Inglaterra é uma sociedade de classe média, com pouca desigualdade entre ricos e pobres se comparado ao Brasil. Efeito prático disso? 

Menos desigualdade social = menos violência 

Em 95% das situações em que eu estava em algum local público na Inglaterra, me sentia completamente seguro. Mesmo ao andar a pé em ruas quase desertas ou pegar um trem vazio após as 22h00, por exemplo.

Parar no farol e ficar atento ao movimento ao redor do carro? Nunca.

No Brasil recente, altas taxas de crescimento econômico e programas sociais como o bolsa família permitiram que milhões de pessoas entrassem na chamada classe média. Isso é um excelente sinal de nossa recente prosperidade econômica, mas ainda é pouco, quando percebemos que a classe média de países como a Inglaterra é mais rica, tem muito mais acesso a educação e saúde de qualidade do que aqui.

Afinal, por que a desigualdade social na Inglaterra é menor?

Respondendo somente com base nas conversas que tive a este respeito por lá, isso ocorre por que a diferença entre salários é muito menor. As faixas de imposto de renda chegam a até 50%. No caso do Brasil, a alíquota máxima é de 27.5%.

Outro elemento que influencia isso é a Educação. No Brasil, são poucos os que tem condições de pagar por uma educação de qualidade. Não me refiro a estas pessoas. Me refiro à maioria dos brasileiros.

Para comparar a qualidade da educação na força de trabalho, fiz o teste do McDonald's. Em vários momentos eu frequentava esta rede de fast food por lá e percebi que o atendimento, qualidade da comida e limpeza estão anos-luz a frente do McDonald's no Brasil.

Lógico que o McDonald's orienta suas lojas para o fornecerem o melhor atendimento possível em todo o Mundo e na minha opinião, a variação para melhor ou pior está ligada à qualidade do trabalho dos funcionários que por sua vez é determinada por sua formação profissional.

O que falta para o Brasil ser uma potência?

Para mim, o sucesso de uma nação não significa o tamanho do seu PIB (que cresce também quando vendemos mais armas, carros e antidepressivos). País bem sucedido é aquele que consegue prover a melhor qualidade de vida para o maior número possível de cidadãos.

No modelo econômico Capitalista em que estamos inseridos, qualidade de vida está diretamente relacionada à menor desigualdade social, que na prática significa mais oportunidades de estudo, trabalho e lazer a todos.

Portanto, se quisermos ser uma potência no sentido digno da palavra, precisamos dentre outras prioridades, diminuir a enorme desigualdade social entre ricos e pobres.

Obs.: esta experiência internacional também me abriu os olhos para um lado positivo e extraordinário do Brasil que muitas vezes passava despercebido. Falarei mais a respeito em outros posts.

18 de mar. de 2012

Um App para ajudar moradores de rua


Outro dia eu estava numa interminável viagem de avião e tive esta ideia maluca (ou não :)

Se algum programador ou startup quiser desenvolver, siga em frente.


Como funciona?
Cada usuário pode cadastrar informações sobre os moradores de rua do seu bairro na medida em que interagem e se sociabilizam com essas pessoas.
Dessa forma, a comunidade de usuários poderá saber por exemplo: por que aquela determinada pessoa esta na rua, sua historia pessoal e como ajuda-la a sair desta situação.

Por que este App é importante?
O que você faz quando vê um morador de rua? 
Em 99% dos casos se afasta, com medo que qualquer interação signifique um assalto ou reações violentas para as quais você não está preparado?
Por outro lado, se você tiver informações sobre quem é aquela pessoa e por que está naquela condição, estará mais propenso a ajudá-la.
Uma vez que isso se aplique a todos os usuários do App naquela região especifica (um bairro de São Paulo, por exemplo), está criada uma rede de suporte social aos moradores de rua.

Esclarecimentos
O objetivo não é necessariamente tirar as pessoas da rua, fazendo uma "operação limpeza", como temos visto em iniciativas coordenadas pelo governo municipal de algumas cidades do país.
A verdadeira missão desta ferramenta é ajudar as pessoas a recuperar sua dignidade e cidadania, através de ações criadas pelos próprios usuários do App em parceria com os moradores de rua.

25 de dez. de 2011

Brasil cai nove posições em ranking de generosidade



Tenho vivido no Reino Unido nos últimos 8 meses. Um período de grande aprendizado profissional e pessoal.

É impressionante perceber como mesmo entre nações do chamado "Mundo Ocidental", há diferenças marcantes. Por exemplo, a cultura brasileira e latina é muito mais coletivista e emocional, enquanto os britânicos são individualistas e mais intelectuais.

Quando um brasileiro vai descrever um problema ou uma situação particular que está vivendo, geralmente começa com: "Estou sentindo...". No caso dos britânicos, é muito comum escutar: "Eu penso que...".

Embora os brasileiros sejam mais coletivistas, estamos ainda muitos passos atrás dos britânicos e do Reino Unido enquanto nação no que se refere a organização social em prol de uma causa comum.

Exemplos:

Embora o engajamento social do brasileiro tenha melhorado desde a retomada democrática de 1985, ainda é muito comum notar espaços públicos abandonados nas grandes cidades brasileiras. 

O padrão que se repete: governo constrói, faz um grande marketing em cima da inauguração e depois não aloca recursos para a manutenção. 

E o que ocorre depois?

Geralmente nada. Em muitos casos, vizinhos não são capazes de se organizar para cobrar o governo ou propor soluções como a manutenção compartilhada do espaço pelo governo e sociedade civil.

No Reino Unido, embora sejam mais individualistas, há muito mais engajamento social. Espaços públicos são limpos, organizados, seguros. E muitas vezes mantidos por associações de bairros. 

A cobrança sobre o governo é maior e paradoxalmente a dependência do povo em relação a um governo é menor.

Quando vi a notícia abaixo, achei que faz todo o sentido. 

Embora o Brasil esteja vivendo um momento econômico especial, não podemos perder a oportunidade de olhar para o que ainda precisa ser feito em nosso país. O que podemos aprender com as outras nações, quais são as melhores práticas que precisamos incorporar, etc. 

E no que se refere a voluntariado e doações para ONG's, temos muito o que aprender...

Obs: aqui vão alguns bons sites para quem quer iniciar uma atividade voluntária. Vale a navegação.

www.voluntarios.com.br
www.voluntariado.org.br


O Brasil caiu nove posições e aparece em 85º lugar - empatado com a Argentina - em um ranking que classifica os países pelo nível de generosidade de seus cidadãos.

Atualizado em 22 de dezembro, 2011 - 10:01 (Brasília)

Fonte: BBC Brasil - www.bbc.co.uk/portuguese

O índice, elaborado pela entidade Charities Aid Foundation (CAF), com sede no Reino Unido, é elaborado por meio de uma pesquisa que faz três questões: se a pessoa, no último mês, doou dinheiro a uma instituição de caridade, se ela realizou trabalho voluntário ou se ajudou algum estranho ou alguém que ela não sabia se precisava de ajuda.

A média simples do percentual das respostas positivas a essas três perguntas resulta no índice de cada país.

Assim, em 2011, o Brasil apresentou um índice de generosidade de 29%, com 48% dos entrevistados afirmando que ajudaram um estranho, 26% dizendo que doaram dinheiro a instituições de caridade e apenas 14% relatando participação em trabalho voluntário. Em 2010, o país apresentou um índice de 30%, ficando na 76ª posição.

Em termos de voluntariado, o Brasil caiu um ponto percentual em relação a 2010, ficando em 101º lugar, empatado com África do Sul, Bangladesh, Camarões, Itália, Mali, Marrocos, Moçambique e República Democrática do Congo.

O ranking é liderado pelos Estados Unidos, país que estava em quinto lugar em 2010. Em segundo lugar, aparece a Irlanda, que subiu uma posição em relação ao ano passado, seguida por Austrália (3º) e Nova Zelândia (4º), que, na pesquisa anterior, estavam empatados em primeiro lugar. O Reino Unido subiu três posições e é quinto.

As últimas posições do ranking são ocupadas por Croácia, Albânia, Grécia, Burundi e Madagascar, que tem o pior resultado geral.

A CAF calculou os índices com base em uma pesquisa realizada pelo instituto Gallup, que entrevistou mais de 150 mil pessoas em 153 países.

Melhora global

De acordo com a CAF, o estudo de 2011 indica um aumento na generosidade dos cidadãos dos países pesquisados, com um aumento do índice global de 31,6% em 2010 para 32,4% neste ano.

A entidade afirma que foi verificado um aumento na ajuda a estranhos e no tempo dedicado a trabalhos voluntários. Por sua vez, as doações em dinheiro tiveram queda.

Segundo a pesquisa, o maior aumento de generosidade em 2011 foi verificado na Ásia, com quatro das cinco regiões do continente apresentando melhora no índice.

A CAF recomenda aos governos que garantam a existência de ministérios responsáveis por promover ações de caridade mais efetivas, enquanto as empresas devem incentivar seus funcionários a participar de trabalhos voluntários e facilitar o apoio às comunidades locais.
Aos cidadãos comuns, a entidade pede que pelo menos 1,5% da renda individual seja destinado a caridade, com os mais ricos dando proporções maiores. Ela pede também que os doadores assegurem doações regulares às entidades e busquem maneiras eficientes de dar dinheiro, podendo fazer uso de mecanismos oferecidos pelo Estado como abatimento de impostos.

27 de nov. de 2011

1 bilhão de pessoas sem água

A falta de água limpa e própria para o consumo já é um problema para 1 bilhão de pessoas no Mundo.

A ONG Charity Water faz um trabalho fantástico para mudar esta realidade através da construção de projetos para levar água limpa a populações carentes na África e ao redor do Mundo.

Com uma doação de apenas US$ 20,00 podemos levar água a 1 pessoa.

Criei uma campanha para arrecadar fundos. Você pode fazer sua doação aqui ou clicando no link abaixo:

http://mycharitywater.org/natal2012

25 de nov. de 2011

Escola de Cidadania e Gestão Pública



A internet transformou o mundo.

As redes sociais estão criando uma revolução nas relações humanas.

A agenda verde pela sustentabilidade já faz parte de organizações de todos os tamanhos e setores.

Estas revoluções fazem parte do nosso cotidiano e estão melhorando a vida das pessoas. 

Mas o que dizer da política? Quando estas revoluções vão chegar no nosso sistema político?

Acredito que a Democracia é um sistema em constante evolução. Por mais que reclamem dos políticos de hoje em dia, a política brasileira era muito pior há 20 anos atrás.

O Brasil ainda é um país jovem, que se tornou independente há menos de 200 anos. E de 1822 para cá, só tivemos Democracia de verdade nos períodos 1945-1964 e de 1985 até os dias atuais. 45 míseros anos de Democracia...

A melhora do sistema político só acontece quando a população fiscaliza mais, se organiza para cobrar por melhores serviços públicos e vota com mais consciência a cada eleição. E tudo isso leva tempo, mas aos poucos acontece.

Uma excelente iniciativa para disseminar a educação sobre política, cidadania e gestão pública neste país é a Oficina Municipal.

A agenda de cursos pode ser visualizada aqui.

Há também a possibilidade de realizar uma discussão sobre Política na sua empresa promovida pela Oficina Municipal.

O que você tem feito para melhorar a política no Brasil?

Como transformar sua família, empresa, grupo de amigos e ONG numa Democracia?

23 de jul. de 2011

Você no Parlamento

A Democracia é muito mais do que somente o voto a cada 4 anos...

Viver em um ambiente de Democracia Plena implica em não somente eleger nossos representantes, mas também manter constante cobrança e fiscalização sobre suas atividades, além de apontar os caminhos que queremos para nosso bairro, cidade, estado, país.

A Democracia é um sistema vivo e que pode evoluir a medida em que a consciência social e política de um povo aumenta.

O Movimento Nossa São Paulo tem lutado para fortalecer a participação popular não somente em São Paulo, mas em todo o Brasil. Uma grande vitória neste sentido foi a aprovação do Plano de Metas, a ser elaborado pelo prefeito em até 100 dias após tomar posse (em São Paulo e outras cidades do Brasil, já é lei em vigor).

Agora, surge outro desafio. O Movimento Você no Parlamento. Veja mais informações a seguir.

Participe, se envolva, defina os caminhos para a atuação dos vereadores de São Paulo em 2012.

E lute para levar ações como esta para a sua cidade.


Em apenas 15 minutos você pode ajudar a construir uma cidade mais justa e sustentável.
De 15 de junho a 15 de agosto, toda a população poderá escolher quais medidas devem ser priorizadas pelo poder público em 2012 em 18 temas.

A Rede Nossa São Paulo e a Câmara Municipal de São Paulo convidam você para participar da campanha “Você no Parlamento”, que contempla a realização de uma ampla consulta pública para que os cidadãos escolham suas prioridades para a cidade em 2012, nas diferentes áreas de atuação do poder público municipal.

O objetivo desta campanha é, essencialmente, fazer com que gestores públicos direcionem seus trabalhos a partir das reais necessidades da sociedade que os elegeram.

A consulta será realizada por meio do site www.vocenoparlamento.org.br, e também por meio de questionários impressos que serão distribuídos nas 31 subprefeituras da cidade e outros postos de distribuição (ver relação abaixo).

As questões apresentadas abordam vários aspectos da vida das pessoas na cidade e estão baseadas na pesquisa IRBEM (Indicadores de Referência de Bem-Estar no Município) realizada pelo IBOPE/Rede Nossa São Paulo. São 28 questões e 18 temas importantes para a qualidade de vida dos paulistanos: Inclusão para pessoas com deficiência, Assistência social para pessoas e grupos em risco social, consumo e meio ambiente, cultura e lazer, desigualdade social, educação, esporte, habitação, infância e adolescência, juventude, saúde, segurança, sexualidade, tecnologia da informação, terceira idade, trabalho, transparência e participação política e transporte e mobilidade.

A campanha “Você no Parlamento” terá duração de dois meses – entre 15/6 e 15/8 – e o resultado da pesquisa será tabulada pelo Instituto Ibope e entregue a cada um dos 55 vereadores na segunda quinzena de setembro.

As prioridades mais votadas pela população orientarão o trabalho dos 55 vereadores da Câmara Municipal em 2011/2012 nas três dimensões de atribuições da Câmara:

•     Prioridades eleitas que podem e devem transformar-se em Projetos de Lei;
•     Prioridades eleitas que podem e devem transformar-se em Emendas ao Orçamento para 2012;
•     Prioridades eleitas que podem e devem transformar-se em Ações Legislativas de Fiscalização do Poder Executivo.

Os procuradores legislativos e consultores técnicos legislativos da Câmara Municipal participarão na organização da base de dados e conseqüente formulação de propostas.

Para atingir o maior número de pessoas na cidade, é necessária uma ampla divulgação da Consulta Pública. Para isso, solicitamos o seu apoio e de todas as organizações, entidades sociais, escolas, empresas, igrejas, telecentros, universidades que tem interesse em participar desta iniciativa.

Movimento Nossa São Paulo

1 de abr. de 2011

Poder e Amor

A leitura deste texto me despertou (ou relembrou) para o fato de que as mudanças no Mundo começam com pequenas mudanças dentro de nós...
Quais são as alavancas para despertar o equilíbrio entre Poder e Amor em uma determinada organização?
Estamos trabalhando para despertar este novo potencial que todos possuímos ou nos mantemos na rotina de criticar a tudo e a todos?

O ‘milagre do nós’ e a nova história que podemos (e devemos) escrever
por Paulo Monteiro
www.nosdacomunicacao.com

Há um pouco mais de um mês visitei a UPP da comunidade carioca Babilônia, acompanhado de amigos e do consultor especialista em transformação social, Adam Kahane, que vinha ao Rio para facilitar uma atividade promovida por alguns colegas e eu, cujo tema era a transformação da nossa cidade.
Quando chegamos à entrada da comunidade, minha primeira surpresa foi ver dois policiais que se aproximavam, muito educados, perguntando a quem procurávamos. Nos levaram até a Associação de Moradores e nos acompanharam durante todo o ‘tour’ promovido pelos líderes locais.
O que vimos (e apreciamos) nesse passeio foi uma comunidade que resgatou sua identidade.  Impressionou-nos ver as mulheres que limpavam o centro educativo com tanta alegria e empenho, preparando o local para o reinicio do período escolar. Passamos pela nova praça de convivência, com um campo de futebol novo e com amplas áreas de lazer; visitamos a biblioteca, o centro de informática, e nos deliciamos ouvindo os policiais contando orgulhosos que passaram a ser mediadores sociais que buscam a melhor convivência possível entre os moradores em um espaço agora pacífico.
Quando conversávamos com o vice presidente da Associação de Moradores, Adam lhe perguntou por que havia demorado tanto para que todas aquelas mudanças acontecessem. Nosso interlocutor respondeu que, apesar de haver varias causas e de não existir uma resposta simples, sem dúvida uma das razões era a falta de vontade de alguns grupos de poder. Essa resposta, que não era inédita para nós, propiciou-nos uma intensa conversa no carro durante nossa volta. Explorávamos em nosso diálogo a força da transformação de uma coletividade mobilizada por uma causa e sustentada pela união de diversos agentes de poder.
Adam publicou recentemente um livro chamado ‘Poder e Amor’, no qual expõe a importância do equilíbrio entre essas duas forças, para que transformações positivas possam ocorrer no âmbito social. O livro explica que há duas dimensões do Poder e do Amor. O saudável Poder, sua dimensão positiva, é o ‘poder para’, ou seja, a ação que empodera as pessoas, que permite a realização individual e coletiva, uma ação sublime que leva o ser humano a realizar sua potencialidade e ser tudo o que pode ser. O chamado ‘downside’ do Poder é o ‘poder sobre’, o exercício de uma força arbitraria que busca o beneficio de poucos, privando a muitos de chegarem ao seu desenvolvimento e realização.
Por outro lado, o Amor saudável é aquele que une o que estava separado, é o impulso que nos fortalece como indivíduos e grupos, buscando o que é comum, trazendo a energia da convergência que transcende e inclui as diferenças; é o milagre que realiza a união de ‘eus’ autônomos em um corpo único, o campo surpreendente de um ‘nós’ coeso. Já o ‘downside’ do Amor é o impulso por uma conexão superficial, que busca manter o status quo e ‘ficar bem com todos’ evitando o conflito e, muitas vezes, ignorando o saudável Poder. Muitas vezes esse amor é dogmático e sentimental, e acaba impedindo a autêntica realização de indivíduos e coletividades.
Ao entrar em contato com essa reflexão vi com muita clareza o que vem acontecendo historicamente em nosso país nas mais diversas esferas, sejam estas famílias, escolas, comunidades, cidades etc. Nos falta praticar o equilíbrio entre o Poder e Amor para transformar-nos no que podemos e estamos chamados a ser.
As comunidades periféricas do Rio de Janeiro foram, por anos, vítimas de um poder paralelo que as privou da dignidade de ter uma identidade e propósito. Como se isso não bastasse, membros do chamado ‘poder oficial’ se aproveitavam politicamente dessa situação para perpetuarem-se em seus cargos, mantendo o problema igual ou agravando-o, com uma ação que só beneficiava a uma minoria poderosa.
Em contrapartida, quando prevalece o ‘poder para’ - a ação que busca impulsionar a realização de indivíduos e coletividades - surge uma energia vital de desenvolvimento, de colaboração mutua, de busca do melhor para cada um e para todos. O saudável Poder gera o saudável Amor e ambos os eixos caminham juntos em uma espiral positiva, trazendo uma realidade mais humana e justa para todo o sistema.
Quando essa espiral se desdobra, vemos o milagre de um ‘renascimento’, que foi o que aconteceu no Babilônia e em tantas outras comunidades: a epifania de uma coletividade que tem uma voz e que quer ser ouvida a partir de sua nova realidade. Por isso, há alguns meses, os membros dessa comunidade se reuniram e a rebatizaram como ‘Alto Leme’, uma parte de um famoso bairro do Rio de Janeiro, sepultando de vez a antiga identidade de ser um ‘anexo indesejável’.
O equilíbrio entre Poder e Amor leva a coletividade a compreender de forma prática e experimental que sua vocação e futuro não dependem de uma ‘força externa’, seja esta uma instituição ou um grupo de pessoas ‘poderosas’. A transformação é vista como algo intrínseco ao grupo e como tarefa de cada indivíduo e de todos, que conectados podem operar milagres jamais pensados.  Acabamos de ver esse ‘milagre’ no Egito, e presenciamos tantos outros ao longo da história da humanidade. Quando um grupo de pessoas entende visceralmente qual a sua missão e vocação, percebendo seu Poder para a realização de toda sua potencialidade, esse passa a ser o espaço fundamental de transformação que, incluindo o autêntico Amor, provocará novas (e maravilhosas) realidades, até então impensáveis.
Estamos em um momento muito propício da história de nosso país. Depois de tempos em que sopraram vozes retóricas e populistas, surge uma era que naturalmente evoca o saudável Poder a partir das pessoas e comunidades. Temos que aproveitar o momentum que a história nos preparou, e dizer sim à missão de reinventar nossos contextos, sejam estes nossas famílias, empresas, comunidades etc.
O Brasil será outro se entendermos que a verdadeira transformação deve emergir dos indivíduos e coletividades, mesmo que as esferas oficiais de poder não estejam comprometidas com esse salto evolutivo. Um dia essas minorias que exercem o ‘poder sobre’ se verão obrigadas a unir-se à historia que todos decidirão escrever juntos.
A partir da nossa decisão de comprometer-nos com essa nova forma de dialogar e agir, que é a expressão concreta do equilíbrio entre Poder e Amor, construiremos uma nova realidade, um novo País que poderá enfim experimentar os benefícios de realizar-se e evoluir a partir da ação consciente de uma sociedade que terá optado pela doce aventura da autodeterminação. 

PAULO MONTEIRO

Paulo Monteiro é mestre em Comunicação e Educação pela Pontifícia Universidad Católica de Chile e pela Universidad Autônoma de Barcelona, bacharel em Filosofia pelo Ateneo Regina Apostolorum de Roma, em sua filial de Nova York – EUA e formado em Comunicação Social pela PUC -Rio. Atua como consultor em Desenvolvimento Humano e Organizacional com foco em áreas como Counseling/Coaching, Carreira, Liderança, Comunicação, Cultura, Desenvolvimento Organizacional e de Equipes. Twitter @pmonteiro88

23 de set. de 2010

Qual o impacto do que você faz?

A pergunta acima é daquelas que vale mais do que a resposta, pela própria capacidade de nos fazer refletir.

Qual o impacto de você ser educado com alguém no ponto de ônibus? Nulo?

E se seu colega do ponto de ônibus se sentir melhor a partir da conversa que teve contigo? E se a partir deste momento, ele tratar bem seus colegas de trabalho naquele dia específico?

O impacto do que você fez foi 1 (amigo do ponto de ônibus) ou 11 (ele e mais 10 colegas de seu trabalho beneficiados por aquele repentino bom humor naquele dia)?

Qual será o impacto de suas atitudes ao longo de um dia?

23 de jun. de 2010

13.666 moradores de rua em São Paulo

O número é assustador...E seria aceitável na Idade Média, mas não em 2010...

Precisamos de novos modelos gestão pública. Modelos realmente centrados na essência do público: gerar o bem comum.

Que tal um vale moradia de R$ 500 para cada morador de rua?

Isso custaria R$ 6,8 milhões por mês ou R$ 82 milhões em um ano, apenas 0,3% do orçamento da cidade de São Paulo.


Vida nas ruas é realidade para 13.666 em São Paulo

Na cidade de São Paulo, o Censo da População de Rua referente ao ano de 2009, indicou que 6.587 pessoas moram integralmente nas ruas, principalmente nas regiões centrais da cidade. Quase metade dessa população não consegue atendimento na única política pública da prefeitura municipal para a questão: pouco mais de 7 mil vagas distribuídas em hotéis, repúblicas sociais, instituições conveniadas e albergues, para 13.666 pessoas em situação de rua da cidade.

Conforme dados da Fundação Instituto de Pesquisa Econômica (Fipe), pelo menos 1842 crianças e adolescentes vivem nas ruas da cidade. Em média, já estão nas ruas há três anos, a maioria entre 12 a 17 anos. 15% das crianças têm menos de seis anos.

Para a socióloga Maria Antonieta da Costa Vieira, apesar da situação caótica, a indiferença reina na cidade.

"Não é problema das ruas, é um problema da sociedade. Só que para determinados segmentos sociais – de baixa renda, com uma situação de desestruturação familiar – a rua passa a ser uma saída. A visão da sociedade é extremamente preconceituosa. As soluções apontadas são soluções higienistas, de ‘limpa, tira, coloca em uma instituição’.”

Maria Antonieta da Costa Vieira e a economista Silvia Maria Schor são pesquisadoras da Fipe e participaram da coordenação do Censo de moradores de rua. No processo de pesquisa, observaram que não basta ter trabalho para manter o ser humano longe da penosa vida das ruas. Para Silvia Maria, a falta de proteção da família e o uso de drogas podem influenciar na mesma medida.

“Você não sabe se a pessoa perdeu o emprego porque começou a beber ou começou a beber porque perdeu o emprego. Ou se a pessoa começou a se dar mal no trabalho porque a situação na família já estava difícil. Muito provável é um processo interativo e as mudanças vão acontecendo juntas.”

De acordo com o Censo, a idade média dos que estão na rua é de 40 anos. Cerca de 65% é parda e negra e 93% sabe ler e escrever. 70% são oriundos do estado de São Paulo, de outros estados do Brasil, e até mesmo do exterior. O restante são moradores da própria cidade.

Morar na rua tem um custo mínimo para a manutenção da vida: comida, remédios, cigarros. Segundo as pesquisadoras, poucos são os que vivem somente de esmolas. Ainda de acordo com Silvia Maria Schor, quase 70%, trabalha catando latinha, desabastecimento de caixas no Ceasa, fazendo bico de segurança. Em media, ganham R$ 19 por dia, renda insuficiente para sair das ruas.

“A degradação física vai progredindo e cada vez menos os moradores de rua têm chances de ocupação ou mais regular ou menos informal. Um jovem que fica na rua por muito tempo, para se reintegrar na sociedade novamente, fica muito difícil. As pessoas perdem a noção de tempo cronológico. Não sabem o dia da semana ou quanto tempo estão na rua. O futuro pra eles é o que estão vivendo naquele momento.”

Violência e droga

De acordo com o coordenador da Rede Rua, Alderón Pereira, a organização recebe frequentemente denúncias de violência cometidas contra os moradores de rua. A maior parte da violência é cometida por integrantes da Polícia Militar e agentes de segurança.

“A população de rua sofre muita violência. Nós sabemos de casos que a Polícia bateu e quebrou a perna de fulano, que atirou. Os jatos de água são bem comuns. Tem uma política da prefeitura de higienização, de limpeza da cidade, de esconder essa realidade.”

45% dos moradores de rua entrevistados já se meterem em briga com espancamento e luta corporal. 27% já foi roubado. 14% já recebeu facada, tiro ou paulada. A experiência com crack é maior entre jovens de 18 a 30 anos de idade. Droga e violência são condições impostas para enfrentar a difícil vida nas ruas.

Resposta do governo é pífia

Segundo Silvia, a situação de São Paulo não é muito diferente das principais capitais mundiais, como Nova Iorque (EUA), Tóquio (Japão) e Paris (França). Na Europa, até mesmo um observatório foi criado para monitorar o aumento da população nas ruas do continente. A crise econômica mundial agravou ainda mais a situação pelo mundo, e também em São Paulo, com parte da população jogada no desemprego.

De acordo com Alderón, a escassez de vagas em albergues dificulta ainda mais a vida de quem procura por esse serviço. Para pernoitar as frias madrugadas da capital paulista, uma pessoa pode passar até uma hora na fila e não encontrar vagas.

“A lei da população de rua da cidade de São Paulo estabelece que no máximo deveriam ter cem pessoas por abrigo. Hoje nós temos abrigos com 1.2 mil pessoas, outros com 250, 150. A realidade da lei ainda está longe de ser atingida.”

Segundo Alderon, apesar de ter melhorado a qualidade dos equipamentos e condições, os albergues continuam sendo serviços terceirizados pela prefeitura, que firma convênios com instituições sociais.

“A política de moradia tem que estar ligada à política de saúde, habitação. O que funciona em São Paulo é a assistência social, ou seja, a política de emergência social.”

Para Maria Antonieta, morador de rua não é apenas um problema da assistência social.

“O morador de rua tem problema de saúde, de trabalho, de habitação, ou seja, é necessária uma abordagem intersecretarial que possa atacar esse problema. Não é só arranjando um albergue.”

Sem propostas do governo pela frente, a vida deve continuar difícil nas ruas de São Paulo. A violência continuará e pode aumentar com o crescimento do repúdio dos demais moradores da cidade. Um novo projeto de ouvidoria comunitária que funciona no Brás, todas as quintas-feiras, pretende sistematizar e mapear as denúncias de violência contra essa população. Os dados devem dar a noção da gravidade e da quantidade de violação dos direitos dessa população.

De São Paulo, da Radioagência NP, Aline Scarso.

4 de abr. de 2010

Curso de formação em empreendedorismo

Tenho feito um trabalho de voluntariado no Projeto Arrastão há cerca de 4 anos, na área de Empreendedorismo  Social.

Nesta semana, iremos lançar um importante fruto de nosso trabalho: uma formação em Empreendedorismo gratuita, voltada para jovens e adultos de Campo Limpo, Taboão da Serra e região.

Por favor, divulguem para seus conhecidos e sintam-se à vontade para nos visitar neste e nos próximos Sábados.


14 de fev. de 2010

Questões Sociais Contemporâneas



Quais as reflexões que surgem a partir do vídeo abaixo?

Que atitudes você irá tomar diante do que foi visto?


29 de jan. de 2010

Qual o valor de uma vida?

Apesar de toda a ganância que nos cerca, dos valores consumistas que dominam este início de século XXI e das atitutdes cada vez mais individualistas, há sempre líderes que apontam um novo caminho. Um caminho fundamentado em justiça, solidariedade e amor ao próximo...



Fundação Gates destinará US$ 10 bi a vacinas em 10 anos

Sex, 29 Jan, 11h22


Davos (Suíça), 29 jan (EFE).- A Fundação Bill e Melinda Gates anunciou hoje que destinará US$ 10 bilhões para ajudar a pesquisar, desenvolver e distribuir vacinas durante os próximos dez anos nos países mais pobres do mundo.

"Devemos fazer da próxima década a das vacinas", disse Bill Gates, em entrevista coletiva no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na qual pediu que pessoas e empresas invistam neste objetivo.

O fundador e ex-presidente da Microsoft disse que esta iniciativa contribuirá para salvar a vida de mais de 8 milhões de crianças até 2020.

"As vacinas salvam e melhoram as vidas de milhões de pessoas nos países em via de desenvolvimento. A inovação nos permitirá salvar mais vidas infantis do que nunca", acrescentou.

"As vacinas são um milagre. Algumas doses podem prevenir doenças graves pela vida inteira", disse Melinda Gates.

Acrescentou que "o desenvolvimento de vacinas é a prioridade da fundação, já que comprovamos seu elevado impacto sobre a vida da população infantil".

Segundo os especialistas, com um aumento significativo do número de vacinas distribuídas em países em vias de desenvolvimento, até alcançar uma taxa de cobertura de 90%, seria possível evitar a morte de 7,6 milhões de crianças com menos de cinco anos entre 2010 e 2020.

Estas vacinas, disse Melinda Gates, incluem novos tipos, como a do rotavírus, que provoca diarréia severa, uma doença que mata a cada ano meio milhão de crianças, e a da pneumonia, que leva à morte 2 milhões de crianças todos os anos.

A Fundação Bill e Melinda Gates sugere que mais 1 milhão de crianças poderiam ser salvas, caso se consiga introduzir uma vacina efetiva contra a malária até 2014.

"Meu sonho é que se consiga uma vacina efetiva contra a malária, por isso a comunidade científica trabalha sem descanso para alcançá-la", disse Melinda.

O anúncio realizado hoje pela Fundação Bill e Melinda Gates se junta à doação de US$ 45 bilhões destinados até o momento à pesquisa, desenvolvimento e distribuição de tratamentos para todo tipo de doenças. EFE

22 de fev. de 2009

Apenas um Homem Velho

"Responsabilidade Social", "Sustentabilidade", "Ética" e termos afins são cada vez mais comuns nos corredores das grandes empresas. É certo que alguns avanços tem sido alcançados nestas últimas duas décadas, mas cenas cotidianas como estas me recordam do quanto ainda estamos distantes de uma sociedade verdadeiramente justa.

Se todas as empresas são realmente tão "sociais, éticas e responsáveis" como se apregoa, porquê há tantas mazelas sociais no próprio entorno de suas sedes? (mendigos ao lado de prédios estrondosos são exemplos mais do que batidos para um morador de São Paulo...)





Mas quem se importa com aquele velho homem ali à margem da nossa alegria e pressa, mercando sua (nossa) miséria numa manhã qualquer de sábado? Quem se importa?

Balas. Apenas balas. Na Bahia da minha infância, chamava-se queimado. Talvez por ser feito de açúcar queimado – sei lá. Eram apenas balas o que aquele homem tinha para vender naquela suave manhã de sábado. Balas, com suas embalagens coloridas: azuis, douradas, prateadas. Bala de coco, amendoim, hortelã.


Ao ver aquele velho homem ali na calçada, com um olhar taciturno e o peso do mundo a esmagar-lhe os ombros, lembrei-me do alegre “baleiro” da minha infância, que despertava em nós, crianças do bairro, ainda mais, e intensa, alegria. O olhar perdido, triste daquele homem, diante do seu pequeno e precário tabuleiro, com parcos montes de balas mais ou menos sortidas, contrapõe-se ao olhar vívido do lépido vendedor de balas, o baleiro da minha infância, que soprava sua gaita estridente e gritava com energia: Baaaalêro! Uma alegria sortida de cores e sabores invadia nossas tardes de sábado, e corríamos todos, meninos e meninas, ao encontro do homem que era portador de inestimável tesouro, materializado sob a forma de preciosas guloseimas.

Como me pareceu amarga a vida daquele homem, que ali tentava vender uma ou outra bala a transeuntes apressados. Fiquei por alguns minutos ali, a observar-lhe a “vendagem”, a féria do dia. Longos vinte minutos se passaram sem que sequer lhe comprassem ao menos uma bala. Fiz os cálculos. Se, geralmente, vende-se três balas por R$0,10 (dez centavos de Real), quantas balas teria que vender aquele homem para tirar o mínimo que lhe propiciasse o sustento, o sustento diário que fosse? Dinheiro que desse para pagar, pelo menos, a condução e as duas ou três refeições do dia. Teria que vender, no mínimo 600 balas por dia. Improvável que conseguisse vender tantas balas assim! Sequer havia seiscentas balas naquele precário tabuleiro!

Uma questão se impunha: como aquele homem, que denominamos ambulante, conseguia prover seu sustento vendendo aquelas singelas balas? Será que ele realmente sobrevive daquele “ofício”? Ou contará ainda com uma miserável aposentadoria que lhe “complementa” a renda? Terão permitido-lhe o direito a uma aposentadoria? Quem sabe?

São questões que, obviamente, não povoam a mente das crianças – e, por que não dizer, tampouco dos adultos. Crianças e adultos apenas gostam de balas, e nada pretendem. Apenas buscam colocar um pouco de doce e alegria em seus dias de sonho, cinzas e incertezas.

Mas quem se importa se aquele velho homem melancólico, ali à beira da sarjeta, consegue prover o seu sustento e dos seus? Se ele tem uma vida digna? Se é alegre; se é triste; se é poeta – ou, ao menos, um homem? Quem se importa?

É perfeitamente verossímil imaginar aquele homem, que carrega nos ombros o peso de seu passado, saindo de casa, rumo ao seu ofício. Um beijo na fronte do neto: “Vovô vai trabalhar, meu filho”. Ele sai de casa, tranqüilo, sob o olhar compungido, respeitoso dos seus familiares. Um homem de bem que segue, com dignidade, para mais um dia de trabalho. Um trabalho “misterioso”, decerto digno, que todos desconhecem qual é, mas que, em sinal de respeito, ninguém nada pergunta.

Já ali, instalado no “seu ponto”, no “seu trabalho”, um lugar qualquer à margem daquela movimentada rua, a um passo da sarjeta, a maleta se transforma no precário tabuleiro e a realidade surge ali diante de nossos olhos passantes, diante do meu/seu olhar de desalento. A realidade, ali resumida, naqueles montes dispersos de balas, suas cores e (dis)sabores, naqueles níqueis, naqueles tostões reluzindo à luz do sol.

Mas quem se importa com aquele velho homem ali à margem da nossa alegria e pressa, mercando sua (nossa) miséria numa manhã qualquer de sábado? Quem se importa?

Autor: Lula Miranda - Agência Carta Maior